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Corrida contra o tempo

Anvisa escolhe vacinas contra a gripe pela circulação de vírus em outros países, para maior eficácia

Versões mais frequentes no Hemisfério Norte têm mais chance de chegar ao Brasil no inverno seguinte


Vacinação contra a gripe exige corrida constante para atualizar a versão e garantir eficácia contra cepas em expansão. Foto: Divulgação

Com o vírus da influenza em constante mutação, a ciência trava uma corrida anual contra o tempo para garantir que a imunização permaneça eficaz. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu as cepas que deverão compor as vacinas utilizadas no Brasil neste ano¹.

Neste ano, as principais vacinas incluem a trivalente ou a tetravalente (quadrivalente), indicada para todas as idades a partir de 6 meses, em dose única (ou em duas doses para crianças não vacinadas anteriormente), que protege contra as cepas H1N1, do Missouri, e H3N2, de Singapura; a influenza B da Áustria e mais uma linhagem da influenza B, a Yamagata, além da vacina de alta dosagem (como a Efluelda), exclusiva para maiores de 60 anos, com quatro vezes mais antígenos, apesar do envelhecimento do sistema imunológico.

Segundo Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, a decisão da Anvisa acompanha as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e baseia-se em um monitoramento rigoroso da circulação viral global.

“O vírus da gripe sofre mutações constantes para tentar enganar o nosso sistema imunológico. E essas novas versões, que chamamos cepas ou variantes, estão circulando pelo mundo. Cientistas monitoram quais dessas versões estão mais frequentes em outros países e as elegem para a imunização no Hemisfério Sul, porque são elas que têm maior probabilidade de chegar ao Brasil no próximo inverno”, detalha o infectologista.

O médico explica que as cepas têm nomes que representam os locais onde as amostras foram identificadas e estudadas pela rede da OMS, ou seja, a equipe de vigilância identifica onde o vírus nasceu e para onde ele está viajando. “Essa atualização anual não é opcional, é uma necessidade biológica: como o vírus sofre mutações rápidas, a vacina que você tomou há dois anos já não reconhece o vírus que está circulando agora.”

A ciência por trás de caca passo da escolha das cepas para a produção dos imunizantes

O processo de seleção faz parte de cooperação internacional. Duas vezes por ano, um grupo seleto de cerca de 40 cientistas da rede Global Influenza Surveillance and Response System (GISRS), formada por cinco centros colaboradores da OMS, se reúne para analisar dados de vigilância de todo o mundo.

Para tanto, são coletadas amostras biológicas de doentes de mais de 150 centros nacionais de influenza, que são enviadas para os laboratórios de referência responsáveis por fazer o sequenciamento genético dos vírus e identificar mutações específicas nas proteínas da superfície viral, que são os alvos dos anticorpos.

Além disso, eles testam a capacidade de os anticorpos existentes nas vacinas anteriores reconhecerem e neutralizarem os novos vírus recolhidos. Se os anticorpos não os neutralizam, significa que o vírus “escapou” e a vacina precisa ser atualizada.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! o alerta do doutor Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sergio Franco e Bronstein, sobre a necessidade de vacinação anual contra a gripe, vírus em constante mutação, e a importância da pesquisa globalmente coordenada das doenças respiratórias.

A preparação do imunizante leva cerca de seis meses, o que exige que as decisões para o Hemisfério Sul sejam tomadas em setembro, visando ao inverno do ano seguinte. Para Alberto Chebabo, essa atualização é o que sustenta a barreira imunológica da população.

“A vacina da gripe é uma das ferramentas mais dinâmicas da medicina moderna. O monitoramento global é indispensável, porque o vírus não segue o fluxo linear do Hemisfério Norte para o Sul ou vice-versa. Uma nova cepa pode vir de um surto fora de época das mais diferentes regiões. A vigilância mundial, liderada pela OMS, permite que a gente antecipe quais linhagens têm maior potencial de causar epidemias e pandemias, ajustando a ‘receita’ do imunizante para garantir a máxima proteção nas próximas temporadas”, afirma o infectologista.

Influenza A causa uma em cada cinco internações respiratórias no Brasil, em um mês

Dados epidemiológicos do Boletim Infogripe da Fiocru³ mostram que, nas últimas quatro semanas, a influenza A foi responsável por 21,8% dos casos positivos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), consolidando-se como a segunda maior causa de internações respiratórias no país. A tendência é de aumento dos casos com chegada do outono, de acordo com Chebabo.

O Rio de Janeiro já iniciou a vacinação contra a gripe no Sistema Único de Saúde (SUS) e campanha em todo país começa dia 28/3, com foco na prevenção das formas graves da doença, por meio da vacina trivalente atualizada, com foco priorizar os grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças (6 meses a < 6 anos), trabalhadores da saúde, entre outros. Na Dasa, a imunização contra a gripe pode ser feita com a versão quadrivalente, disponível para todas as pessoas entre 6 meses e 60 anos, nas unidades dos laboratórios Alta Diagnósticos, Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de Janeiro, ou ainda pelo atendimento domiciliar.

Referências

¹Agência Nacional de Vigilância Sanitária: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-define-composicao-das-vacinas-contra-a-gripe-para-2026

² The Conversation Weekly: The 40 scientists who decide which flu shot you'll get

³Boletim Infogripe Fiocruz: https://fiocruz.br/noticia/2026/03/infogripe-indica-aumento-da-circulacao-de-influenza-no-brasil


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