Bloqueio anunciado por Trump no Estreito de Ormuz ameaça navios de aliados, como o Japão, que concordou em pagar pedágio ao Irã. Foto: Divulgação Mitsui
Os Estados Unidos iniciaram, nesta segunda-feira (13), o bloqueio naval ao Estreito de Ormuz por tempo indeterminado. A ameaça foi feita por Donald Trump, após a reunião entre EUA e Irã terminar sem acordo sobre acabar com a guerra, nesse final de semana. O presidente norte-americano publicou em uma rede social que um único ponto continuou sob discórdia: o programa nuclear iraniano.

Segundo a Agência Reuters, o Comando Central da Marinha dos EUA disse que qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada estará sujeita a interceptação, desvio e captura.
Trump prometeu bloquear todos os navios que tentarem entrar ou sair do estreito e que, se algum dos navios do Irã se aproximar do bloqueio, será imediatamente eliminado. Os ataques usariam o mesmo sistema que vem sendo utilizado contra os barcos no continente americano, acusados de levarem drogas aos Estados Unidos. Dois navios foram enviados para retirada das minas marítimas instaladas pelo Irã.
A principal via marítima do comércio de petróleo do planeta, por onde transitam cerca de 20% das cargas de óleo globais, foi fechada pelo Irã em resposta a agressão sofrida pelos EUA e por Israel no dia 28 de fevereiro.
Trump vinha ameaçando um genocídio contra o Irã caso eles não permitissem a passagem livre pelo Estreito de Ormuz até que foi anunciada a trégua de duas semanas de um frágil cessar-fogo.
O novo líder Supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, vem afirmando que a gestão do Estreito de Ormuz terá novas regras para passagem daqui para frente, não devendo o Estreito voltar ao status que tinha antes da guerra.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Kai Lehmann, Donald Trump colocou diante de si duas opções ruins caso algum navio tente furar o bloqueio.
"Vamos assumir que um aliado do Irã, a China, tenta furar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Donald Trump aí teria duas opções, ambas ruins. Ou ele deixa passar, nesse caso o bloqueio de fato não existe, ou ele não deixa passar e ataca um petroleiro chinês. Aí a China seria obrigada a responder."
O estreito, por onde passa 20% do petróleo mundial, vem sendo controlado pelo Irã desde o início da guerra com os EUA e Israel. O bloqueio, se efetivado pelos EUA, pode restringir as exportações de petróleo iranianas e coloca em dúvida a continuidade do frágil cessar-fogo.
As Forças Armadas do Irã responderam que qualquer ameaça aos portos do país teria uma resposta militar regional mais ampla, e que nenhum porto no Golfo Pérsico ou no Mar de Omã estaria seguro caso portos iranianos fossem atacados.
Para o professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ricardo Leães, as alternativas postas à mesa tensionam as possibilidades de fornecimento de petróleo.
"Recentemente algumas autoridades iranianas falaram que o preço dos combustíveis nos Estados Unidos, o preço atual, logo vai se tornar apenas uma memória, uma lembrança. Sabemos que os iranianos tendem a ser muito mais rigorosos em relação ao que eles falam. Enquanto Donald Trump faz ameaças e não cumpre, isso é bastante comum no seu modo de governo, o Irã tende a ser muito mais fidedigno em relação a tudo aquilo que ele fala."
De acordo com a Agência Reuters, os preços do petróleo voltaram a subir acima de US$ 102 por barril nesta segunda-feira.
Reino Unido e França, e aliados da Otan afirmaram que não se envolverão no bloqueio do Estreito de Ormuz, imposto por Donald Trump. Os europeus disseram estar dispostos a ajudar, mas após o fim das hostilidades e quando houver um acordo com o Irã garantindo que os navios não serão atacados.
Fonte: Agência Brasil e RadioAgência Nacional