Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

'Relato coerente com provas'

Justiça determina internação de adolescente por participação em estupro coletivo de colega de escola

Juíza considerou violência empregada pelo jovem, acusado de emboscar a vítima, namorada dele à época


Disque-Denúncia publicou cartaz para ajudar na busca de adultos envolvidos no estupro coletivo de adolescente em Copacabana. Foto: Disque-Denúncia

A Vara da Infância e da Juventude da Capital determinou a internação do adolescente que participou de um estupro coletivo ocorrido em um apartamento de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. A decisão, que considerou a gravidade da conduta e a violência empregada, baseou-se no entendimento de que o jovem planejou uma "emboscada" contra a vítima, de 17 anos, com quem ele mantinha um relacionamento afetivo.

O adolescente foi condenado à medida de internação, sem possibilidade de atividades externas por um período inicial de seis meses. A sentença, assinada pela juíza Vanessa Cavalieri, concluiu que a gravidade da infração e a falha da rede familiar em prover limites adequados justificam a medida extrema, visando à ressocialização do jovem e a preservação da ordem pública. Outros quatro homens adultos também são investigados pela participação no crime.

Um dos pontos centrais da sentença foi a valorização do depoimento da vítima. A juíza ressaltou que, em crimes de natureza sexual, que geralmente ocorrem de forma clandestina e sem a presença de testemunhas, a palavra da vítima tem especial relevância e credibilidade. No caso em questão, o relato da jovem foi considerado coerente, detalhado e corroborado por exames de corpo de delito que comprovaram agressões físicas, como socos e chutes desferidos pelo grupo, inclusive pelo próprio adolescente.

Julgamento adota protocolo com perspectiva de gênero do Conselho Nacional de Justiça

Para fundamentar a decisão, a magistrada aplicou o Protocolo para Julgamento sob Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Este protocolo orienta que magistrados analisem casos de violência contra mulheres reconhecendo a desigualdade histórica e as relações de poder envolvidas. A sentença destacou que a alta valorização do depoimento da mulher não gera desequilíbrio no processo, mas, sim, garante a igualdade material, uma vez que vítimas de violência sexual frequentemente enfrentam dificuldades para provar a falta de consentimento.

Esforço conjunto em depoimento especial para evitar trauma da exposição repetida da vítima

Visando ao bem-estar da jovem, o Judiciário adotou uma medida para evitar que ela sofresse o trauma de repetir sua história diversas vezes em juízo. Foi realizado um único depoimento especial, fruto de uma cooperação entre a Vara da Infância e Juventude e a Vara Criminal - onde tramita o processo contra os adultos envolvidos. Essa oitiva única garantiu que a vítima falasse sobre o ocorrido apenas uma vez para ambos os processos, evitando a sua revitimização e respeitando o direito de crianças e adolescentes vítimas de violência de serem ouvidos de forma protetiva.


Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a dondenação do adolescente acusado tramar o estupro coletivo da namorada, colega de escola dele.


Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e RadioAgência Nacional

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!