Ana Paula Renault e seu pai, Gerardo Renault. Foto: Reprodução Instagram
A conquista de um prêmio milionário pode vir acompanhada de uma dor irreparável. A vitória de Ana Paula Renault no BBB 26 que deixou o confinamento e descobriu a morte do pai poucos dias antes da final reacendeu um tema delicado: como lidar com o luto quando não há possibilidade de despedida. A impossibilidade de participar do velório e do sepultamento pode intensificar sentimentos de negação, culpa e dificuldade de aceitação da perda. Especialistas
Segundo a psicóloga do GrupoMED, clínica parceira do Grupo OAF, Marília Fernandes, a forma como a morte acontece influencia diretamente a vivência do luto. “O processo vai depender de como a perda ocorreu. Quando a perda é inesperada, a negação tende a ser maior, e o enlutado pode ter mais dificuldade em aceitar. Quando Ana Paula diz ‘não querer voltar para o mundo real’ significa que ainda não quer encarar a dor de viver sem o pai, está fugindo do sofrimento da nova realidade, pois o luto não é só pelo ente querido, mas também pela vida que existia com ela.”
A ausência do ritual de despedida pode provocar a sensação de que a perda não foi concluída, dificultando a elaboração emocional. O velório e o sepultamento funcionam como marcos simbólicos importantes, permitindo que familiares e amigos reconheçam a morte, compartilhem memórias e iniciem o processo de aceitação. Quando esse momento não acontece, é comum que a pessoa sinta necessidade de criar outros rituais para dar significado à despedida.
Entre as estratégias recomendadas por Marília estão escrever uma carta para o ente querido, realizar uma homenagem íntima, acender uma vela em memória, reunir fotos e lembranças ou promover um encontro familiar posterior. “Esses gestos ajudam a construir um momento simbólico de encerramento e facilitam a expressão da dor”, explica a psicóloga.
Marília Fernandes ressalta ainda que não existe uma forma única de viver o luto. Cada um reage de maneira diferente e o tempo de elaboração também varia. “É importante permitir-se sentir tristeza, raiva ou até confusão. Evitar a dor pode prolongar o sofrimento. Falar sobre a perda, buscar apoio familiar ou profissional e respeitar o próprio tempo são passos fundamentais”, diz.
O caso de Ana Paula reforça que, mesmo diante de grandes conquistas, a perda de alguém amado pode gerar um impacto emocional profundo. Quando não há despedida, o cuidado com a saúde mental torna-se ainda mais essencial, para que o enlutado consiga, gradualmente, integrar a ausência e reconstruir a vida sem a presença física de quem partiu.