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De acordo com levantamento do instituto Ipsos Brasil, a saúde mental tornou-se, em 2025, a principal preocupação dos brasileiros. O tema foi citado por 52% da população, um aumento expressivo em relação a 2018, quando apenas 18% indicavam essa questão como prioridade.
Os dados do trabalho formal reforçam o cenário de alerta. Em 2025, o Brasil registrou 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número já observado, de acordo com o INSS. Em 2024, haviam sido 440 mil licenças pelas mesmas causas, evidenciando uma escalada consistente do adoecimento psíquico relacionado ao trabalho.
Para a advogada trabalhista Adriana Belintani, especialista em saúde mental nas empresas pela USP, o aumento dos afastamentos revela uma mudança de percepção sobre o tema dentro das organizações.
“Acompanho de perto os impactos jurídicos e organizacionais dessa negligência. Saúde mental no trabalho não deve ser discurso motivacional, mas responsabilidade institucional”, afirma.
Segundo a especialista, o reconhecimento formal dos riscos psicossociais amplia o olhar sobre fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, insegurança organizacional, pressão excessiva por resultados e culturas corporativas adoecedoras. Esses elementos estão diretamente relacionados ao aumento de afastamentos, passivos trabalhistas e queda de produtividade.
Nesse contexto, cresce o espaço para modelos de gestão que integrem saúde mental, governança e estratégia empresarial. O avanço dos afastamentos por transtornos mentais e a crescente preocupação da população com o tema indicam que o cuidado com o equilíbrio psicológico no ambiente de trabalho se tornou uma questão estrutural para o mundo dos negócios.