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Exercício físico pode ajudar pacientes com câncer a reduzir impactos da quimioterapia

Estudo mostra que atividade física durante o tratamento pode amenizar sintomas do "nevoeiro cerebral"

Por Portal Eu, Rio! em 08/06/2026 às 20:30:38

Foto: Divulgação

A prática de atividade física durante o tratamento contra o câncer pode ajudar a reduzir prejuízos cognitivos associados à quimioterapia, como falhas de memória, dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e sensação de confusão mental. O quadro é conhecido como chemobrain, ou “nevoeiro cerebral”, e pode afetar a rotina, o trabalho, as relações sociais e a autonomia dos pacientes.

Um estudo da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, publicado no Journal of the National Comprehensive Cancer Network, reforça que exercícios simples, como caminhadas e movimentos de resistência feitos em casa, podem contribuir para amenizar esses sintomas em pacientes em tratamento quimioterápico.

De acordo com o oncologista clínico Daniel Musse, membro de sociedades brasileira, americana e europeia de oncologia, o tema é importante porque mostra que o cuidado com o paciente com câncer vai além do combate direto ao tumor.

“O exercício físico já não é mais visto como um tratamento pra bem estar, ganho de peso ou vida saudável apenas. Hoje sabemos que se exercitar ativa mecanismos de bom funcionamento do nosso organismo, como nosso sistema imune, nossas defesas contra células que podem estar doentes e nossos mecanismos pra combater a inflamação. Tudo isso ajuda nosso corpo a se recuperar de processos que mudem seu funcionamento normal, como a quimioterapia", explica o médico.

O chemobrain ainda não tem uma causa única totalmente definida. A principal hipótese é que a quimioterapia possa provocar alterações inflamatórias no organismo e no sistema nervoso, afetando áreas ligadas à memória, à atenção e ao processamento de informações. Como não há um exame específico capaz de confirmar o quadro, o diagnóstico costuma ser feito a partir dos sintomas relatados pelo paciente.

Segundo Daniel Musse, é comum que o paciente demore a falar sobre essas alterações por achar que está apenas cansado, ansioso ou fragilizado pelo tratamento.

“Sabemos hoje que exercício feito em qualquer intensidade, mas de modo regular e frequente, traz um grande benefício à saúde. É importante respeitar os próprios limites e ouvir os sinais que o próprio corpo emite. E o dado desse estudo é exatamente o que vemos na prática: quem se mantém em movimento, seja ele qual for, sente menos o tratamento e volta ao estado de normalidade mais rapidamente", afirma.

No estudo, os pesquisadores acompanharam 687 pacientes em tratamento quimioterápico. Parte recebeu o cuidado padrão, enquanto outro grupo passou a praticar exercícios com orientação específica, incluindo caminhada e movimentos simples de resistência com faixa elástica, que podiam ser feitos em casa.

“A recomendação não é que o paciente faça exercício por conta própria ou em intensidade alta. A atividade precisa respeitar o momento clínico, o tipo de câncer, o tipo de tratamento, a presença de anemia, dor, fadiga ou outras limitações. Mas, quando liberado pela equipe médica, movimentar o corpo pode ajudar não só na parte física, mas também na cognição, no humor, no sono e na disposição”, completa Dr. Daniel Musse.

Entre os sinais que podem indicar o chamado nevoeiro cerebral estão esquecimento frequente, dificuldade de concentração, demora para encontrar palavras, sensação de raciocínio mais lento, dificuldade para fazer várias tarefas ao mesmo tempo e maior cansaço mental.

A orientação é que pacientes em tratamento contra o câncer conversem com seus médicos antes de iniciar qualquer atividade física. Em muitos casos, caminhadas leves, exercícios supervisionados e movimentos adaptados podem ser incorporados à rotina com segurança.

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