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Axel Grael: 'Congresso precisa trocar retrocesso por respeito ao Meio Ambiente'

Ex-prefeito de Niterói alerta para riscos com flexibilização das normas e transferência do licenciamento para prefeituras nem sempre equipadas

Por Portal Eu, Rio! em 09/06/2026 às 11:49:18

Nem todo mundo sabe, mas o ex-prefeito de Niterói, Axel Grael, é também um ambientalista com longa trajetória na defesa do meio ambiente e da Baía de Guanabara. Ex-presidente da Feema (atual INEA), ele atuou no combate a derramamentos de óleo na Baía e, mais recentemente, enfrentou desafios como o avanço sobre a Lagoa de Piratininga e os impactos das ondas de calor no município.

Durante a Semana do Meio Ambiente, Grael criticou a flexibilização das regras de licenciamento ambiental no Congresso Nacional e defendeu o meio ambiente como estratégia de desenvolvimento social e econômico. “Congresso precisa trocar o retrocesso por respeito ao meio ambiente”, disse.

Leia abaixo os principais pontos da entrevista.

Como o senhor enxerga o desenvolvimento sustentável?

O meio ambiente é um ativo econômico importante. Pode gerar emprego e renda no turismo, na indústria, nos serviços. Nos Estados Unidos, os parques naturais respondem por 2% do PIB porque atraem turistas, são usados para manejo madeireiro de forma sustentável etc. Aqui no Brasil, há empresas usando o calcário das conchas para fazer cimento. Isso é parte do que chamamos de economia azul, que é o aproveitamento de todos os recursos gerados pelo mar, das conchas ao curso de surf ou de vela, como fazemos nas escolinhas do projeto Grael.

Mas ainda temos muitos problemas com poluição, refugo, lixo sem destino certo nos municípios.

Sim. Desenvolver gera consumo, resíduos e impactos ambientais. Não podemos impedir as pessoas de quererem uma geladeira nova, mas devemos garantir o destino correto da antiga. Da mesma forma, obras e empreendimentos precisam prever compensações e benefícios para as comunidades afetadas.

E por que esse planejamento nem sempre acontece?

Em muitos casos, acontece. Avançamos com estudos de impacto ambiental, medidas de mitigação e Soluções Baseadas na Natureza, como o Parque Orla de Piratininga. Mas muitos municípios têm pouca estrutura técnica para avaliar projetos. Por isso, a flexibilização das regras de licenciamento aprovada pelo Congresso é um absurdo. O Congresso precisa trocar o retrocesso por respeito ao meio ambiente.

Que retrocessos são esses?

São três projetos de lei. Um deles já foi aprovado na Câmara. Eles estão liberando áreas para serem desmatadas, impedindo o controle e a fiscalização dos órgãos ambientais. Um outro projeto de lei impede que os órgãos ambientais fiscalizam o desmatamento de forma remoto, por satélites. Eles não entendem que proteger o meio ambiente é garantir a produtividade do agro, que produtor que vêm de lugar com desmatamento tem dificuldades nos mercados internacionais.

É por isso que o senhor é pré-candidato a deputado federal?

Sim. Porque a gente tem que mexer com essa correlação de forças no Congresso Nacional.

Mas o excesso de burocracia não atrapalha setores como o imobiliário e o agronegócio?

De forma nenhuma. Em Niterói, hoje, atividades de baixo e médio risco conseguem alvará no mesmo dia, de forma automática, com licença sanitária e de uso do solo. Chegamos a isso com investimento em tecnologia, processos automáticos, georreferenciamento. Não foi passando a boiada. Os setores produtivos estão entre os mais afetados pelos eventos climáticos extremos. Agricultores perdem safras, áreas urbanas sofrem desvalorização e o Brasil perde competitividade quando é associado ao desmatamento.

O crescimento imobiliário em áreas já adensadas também não gera problemas?

Precisamos aproveitar melhor a infraestrutura existente, em vez de expandir a cidade para áreas sem estrutura. Niterói tem mais de 94% da população atendida por coleta de esgoto. Faz mais sentido concentrar o crescimento onde a infraestrutura já existe e pode ser melhorada, como fizemos com investimentos em mobilidade e qualidade de vida, como fizemos com o túnel Charitas-Cafubá e a ampliação da rede de saúde, incluindo a maternidade Alzira Reis.

Por que devemos nos preocupar com um novo El Niño?

Não estamos conseguindo evitar o aumento da temperatura do planeta, e o El Niño potencializa esse cenário. No Brasil, ele está associado a secas, tempestades e ondas de calor. Em Niterói, investimos cerca de R$ 1 bilhão em 150 obras de contenção de encostas e reflorestamos 358 mil metros quadrados. Isso ajudou a cidade a enfrentar chuvas intensas sem repetir tragédias como a do Morro do Bumba. Mas o estado do Rio ainda tem cerca de 2 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco. Precisamos investir em prevenção. Não adianta remediar depois.

Por Portal Eu, Rio!
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