O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), denunciaram 15 pessoas, entre elas três policiais civis e um policial militar, por envolvimento em uma organização criminosa responsável pela criação e comercialização de loteamentos ilegais no Parque Estadual da Pedra Branca, em Campo Grande. O grupo atuava por meio de estelionato, corrupção e crimes contra o meio ambiente.
Nesta quinta-feira (11/06), a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) cumpre quatro mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão contra os denunciados. Os mandados são cumpridos nos bairros de Copacabana, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Olaria, Realengo, Magalhães Bastos e Jardim Sulacap. Além do PM e dos policiais civis denunciados, entre os alvos dos mandados de busca também está um delegado da Polícia Civil, até o momento na condição de investigado por participação no esquema. A ação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria-geral da Polícia Militar.
A denúncia descreve que centenas de vítimas foram atraídas pela falsa promessa de adquirir um terreno regularizado para construir a casa própria em uma área verde e arborizada na zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca. Segundo as investigações, Milton de Souza Junior, apontado como líder do grupo, passava-se por proprietário de terras na região, promovia o parcelamento irregular dos terrenos e vendia os lotes. Para enganar os compradores, utilizava falsos corretores de imóveis, empresas de fachada e laranjas para receber os valores pagos.
As investigações também revelaram que a estrutura criminosa era sustentada pela corrupção de agentes públicos, por vínculos com a milícia da Zona Oeste e por práticas violentas. De acordo com a denúncia, o grupo contava com policiais em desvio de conduta para obter informações privilegiadas e dificultar o avanço das investigações. O GAECO e o GAEMA também identificaram conversas em que os denunciados discutiam a execução de milicianos rivais.
Segundo os investigadores, dados contidos no celular do policial civil Marcos Eduardo Maia, também denunciado, não apenas confirmaram os crimes, como revelaram que o esquema de corrupção envolvendo policiais civis da 35ª DP (Campo Grande) era contínuo e duradouro. Segundo a denúncia, Marcos Eduardo Maia fazia a interlocução com outros policiais civis envolvidos, como Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado, responsáveis por levantar informações de interesse da organização criminosa. Wilson Renato Ribeiro Matheus é apontado como braço direito de Milton. Já o policial militar Wendel Vale de Oliveira era responsável por ceder maquinário, especialmente escavadeiras, para o grupo. Além deles, foram denunciados laranjas, falsos corretores de imóveis e proprietários de maquinário utilizado nas obras.
O prejuízo é estimado em mais de R$ 846 mil, além dos graves danos ambientais causados pela atuação do grupo. Além do ajuizamento da ação penal, o Ministério Público requereu o sequestro de bens dos denunciados e a suspensão do exercício de funções públicas. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital.