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Supremo julga hoje Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo

PGR reuniu provas de que deputado cassado pediu ao governo Trumpo sanções a autoridades e exportações brasileiras

Por Portal Eu, Rio! em 16/06/2026 às 09:07:33

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é acusado de coação no curso do processo por supostamente ter atuado para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga, nesta terça-feira (16), a Ação Penal (AP) 2782, aberta contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de coação no curso do processo por supostamente ter atuado para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

O julgamento ocorrerá a partir das 14h, em sessão presencial, com transmissão pela Rádio e TV Justiça e pelo canal do STF no Youtube.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre o julgamento do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

Eduardo está nos Estados Unidos desde o fim de fevereiro de 2025.

Em novembro, ao aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República, os ministros entenderam haver indícios de que o ex-parlamentar pretendia criar um ambiente de instabilidade institucional.

As ações de Eduardo Bolsonaro teriam causado, inclusive, prejuízos econômicos ao Brasil.

Ele perdeu o mandato na Câmara dos Deputados em dezembro, por excesso de faltas.

O advogado especialista em Direito Penal, Max Telesca, destaca a importância do julgamento.

"Pra mim, a mais importante é relacionada à pressão internacional a que está até hoje sendo submetido o Brasil em função das atividades também de Eduardo Bolsonaro e de outras personalidades que se encontram nos Estados Unidos, ou em grande interlocução com os Estados Unidos, e a formação de um precedente judicial que contemple ou que entenda como coação no curso do processo esse tipo de busca de intervenção dentro do Brasil a partir da maior, e até hoje ainda mais importante, potência econômica e bélica do mundo que são os Estados Unidos da América".

Denúncia

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o então parlamentar fez declarações públicas e postagens em redes sociais em que afirma ter colaborado para que o governo dos Estados Unidos impusesse sanções a autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF, bem como medidas econômicas ao país, em razão do que considera uma perseguição política a seu pai.

Na denúncia, a PGR sustenta que “são fartos os registros audiovisuais” em que Eduardo Bolsonaro verbaliza intimidações, detalha seu itinerário e revela suas articulações no país estrangeiro, com o objetivo de constranger a cúpula do Judiciário brasileiro e perturbar o curso da AP 2668, em que o ex-presidente Bolsonaro e integrantes de seu governo foram condenados em setembro do ano passado. A PGR aponta que o réu anunciava previamente as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, celebrava sua imposição e as designava como prenúncio de outras medidas mais severas, caso o STF não recuasse no julgamento.

Defesa

Como Eduardo Bolsonaro não constituiu advogado nos autos, sua defesa está a cargo da Defensoria Pública da União (DPU), que alega supostas nulidades processuais. Entre os argumentos, a DPU sustenta que o ministro Alexandre de Moraes não poderia atuar no julgamento por ser uma das autoridades atingidas pelas sanções impostas pelos Estados Unidos. Além disso, argumenta que a citação do ex-parlamentar deveria ter sido feita por meio de carta rogatória (instrumento de cooperação jurídica internacional para cumprimento de ato determinado por autoridade judicial estrangeira), e não por edital.

Em relação ao mérito, a DPU argumenta ainda que as condutas atribuídas ao réu se trataram de manifestações públicas de um parlamentar sobre política externa e sobre a atuação do Judiciário. Segundo esse argumento, debater a legitimidade e as consequências da atuação do Judiciário não é coagir seus membros.

Andamento processual

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF recebeu a denúncia da PGR, e Eduardo Bolsonaro passou à condição de réu na ação penal. Em seguida, teve início a instrução processual, ou seja, a fase de produção de provas. Com a apresentação das alegações finais da acusação e da defesa, os autos foram liberados para julgamento.

Na última sexta-feira (12), a DPU pediu o adiamento do julgamento e a convocação de um ministro da Segunda Turma para completar a composição do colegiado. No momento, a Primeira Turma tem quatro integrantes, em razão de vaga aberta na Corte.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, indeferiu os pedidos e manteve a inclusão do processo na pauta. O ministro explicou que, segundo o Regimento Interno do STF, as Turmas podem deliberar com a presença mínima de três ministros, sem necessidade de convocação de integrante de outro colegiado para completar sua composição.

Julgamento

A sessão terá início com a leitura do relatório (resumo do caso) pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.

Em seguida, o subprocurador-geral da República Antônio Edílio Magalhães Teixeira falará pela PGR. Depois, representando a defesa, falará o defensor?público?federal Esdras dos Santos Carvalho. Nos termos da Lei 8.038/1990 (que especifica as normas para processos criminais no STF e no Superior Tribunal de Justiça), a acusação e a defesa têm prazo de uma hora para sustentação oral.

Encerradas as manifestações, o colegiado inicia a fase de votação. O voto do relator será o primeiro, e, na sequência, votarão o ministro Cristiano Zanin, a ministra Cármen Lúcia e, por último, o presidente do colegiado, ministro Flávio Dino.

A decisão será tomada por maioria de votos. Caso haja condenação, o colegiado também analisará a fixação da pena.

Por Portal Eu, Rio!

Fonte: Supremo Tribunal Federal e RadioAgência Nacional

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