Polícia Federal cumpre três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF 635 no Supremo. Foto: Acervo
Rio de Janeiro/RJ. Nesta quinta-feira (2/7), a Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro praticada por organização criminosa. A autorização da nova fase de diligências foi autorizada pelo relator da ADPF 635/RJ no Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes.
Na ação, policiais federais cumprem 3 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti/RJ. As ordens judiciais foram expedidas pelo STF, bem como a determinação do sequestro de cerca de R$ 22 milhões em bens e valores. Os nomes e endereços dos alvos dos mandados de busca e apreensão não foram divulgados, ao menos de início, mas cerca de 20 autoridades, na maioria parlamentares, estariam na lista, de acordo com informações obtidas por órgãos de imprensa. O único alvo dos mandados de busca e apreensão a vir a público foi o do ex-deputado federal Marco Antôno Cabral, filho do governador cassado Sergio Cabral.
Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga cumplicidade entre criminosos e autoridades no Estado do Rio.
Dois dos mandados de prisão foram expedidos com base em novos indícios contra pessoas que já se encontram detidas. Uma é o presidente afastado da Alerj, deputado estadual Rodrigo Bacellar, investigado desde a primeira fase da Operação Unha e Carne por indícios de ter vazado diligências da PF e com isso facilitado a fuga do colega TH Jóias, investigado por indícios de integrar esquema de lavagem de dinheiro e contrabando de armas e munição para o Comando Vermelho. A outra é Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como "Adilsinho", apontado pelas autoridades policiais como o principal líder da chamada "nova cúpula" do jogo do bicho do Rio de Janeiro. O terceiro mandado de prisão cumprido nesta quinta é contra o empresário do tabaco Márcio Pôncio, o 'Pastor do Cigarro'. Pai da deputada Sarah Pôncio, do Solidariedade, Márcio é investigado por ligações com a chamada 'Máfia do Cigarro', que domina a importação, fabricação e venda clandestina do produto, trazido do Paraguai ou falsificado na Baixada Fluminense.
A atual fase da investigação foi deflagrada a partir da análise de documentos apreendidos que revelaram uma contabilidade paralela voltada à lavagem de capitais, além de registros de supostos pagamentos indevidos e de doações eleitorais irregulares.
A ação insere-se no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
Na quarta fase da operação, deflagrada em maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso. O objetivo da ação era desarticular suposta organização criminosa que aplicava fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria de Educação do estado.
À época, a PF encontrou mensagens com menções a atos violentos no celular do parlamentar. Durante as investigações, a corporação interceptou, com autorização judicial, conversas entre o deputado e outros acusados de pertencer ao suposto esquema de desvios.
O escritório de advocacia encarregado da defesa de Adilsinho divulgou nota:
A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal.
RICARDO BRAGA
OAB/RJ 143.420
A advogada que comanda a defesa de Marco Antôno Cabral também divulgou nota:

Fonte: Polícia Federal e RadioAgência Nacional