Cinquenta e cinco anos após ter sua trajetória interrompida pela ditadura militar, Stuart Angel Jones receberá da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o diploma póstumo. A cerimônia será nesta terça-feira (07/07), às 16h30, no Salão Dourado da Universidade, na Praia Vermelha - Av. Pasteur, 250.
Stuart Angel foi sequestrado, torturado e morto por agentes do regime militar em 1971, aos 25 anos. O estudante de economia era militante do Movimento Revolucionario 8 de Outubro (MR-8). Seu desaparecimento foi amplamente denunciado por sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que dedicou anos de sua vida à busca do corpo do filho, até hoje não encontrado. A luta pelo não esquecimento do jovem segue firme através da atuação da jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart.
A solicitação da diplomação póstuma à Stuart Angel foi feita de maneira conjunta pela jornalista Hildegard Angel e por Lucas Duda, representante do Centro Acadêmico Stuart Angel (Casa), do Instituto de Economia (IE) da UFRJ.
Para Lucas Duda,“ hoje, temos a missão e a honra de transmitir para a minha geração, para os que estão entrando no IE, o legado desse jovem, que foi meu antecessor, estudou nas mesmas cadeiras e salas que eu, no Palácio Universitário. A requisição, que fizemos é para que a justiça seja feita 55 anos depois, não só para o Stuart, mas para todos. Que seus nomes sigam sendo lembrados nos próximos 50 anos!”, enfatizou Duda.
Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, Stuart Angel simboliza a luta pela democracia, muitas vezes ameaçada, e a luta pela justiça social contra a desigualdade em nosso país. “Ele foi arrancado do seio de sua família e duramente torturado. Ofereceu o que tinha de mais belo: a sua juventude. Esperamos que o legado de Stuart Angel inspire todos os estudantes a atuarem em prol da democracia, para que esse terrível capítulo da história do Brasil não se repita”, concluiu.
Em 2019, o Estado brasileiro retificou o atestado de óbito de Stuart Angel. O documento passou a registrar oficialmente que sua morte foi violenta e causada pelo Estado, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964.