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Falta de analgésicos pesa

Brasileiras que desejam parto normal passam por cesariana sem necessidade médica

País está entre os três que mais submetem parturientes a cirurgias; insegurança e dor são gatilhos para a escolha


Parto normal é preferência declarada de 70% das gestantes, mas cesariana predomina como escolha final em 60% dos casos. Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Um estudo divulgado pelo Unicef nesta segunda-feira (13) revela que muitas brasileiras que desejam ter um parto normal acabam passando por uma cesariana sem necessidade médica. Entre os motivos estão a falta de informações durante o pré-natal, a pouca participação dos parceiros e o acesso limitado à analgesia, a administração de medicamentos para alívio da dor. 60% do total de nascimentos no Brasil são realizados por cesariana. Considerando apenas a rede particular, esse percentual chega a quase 90%.

A especialista em saúde e nutrição do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, avalia que há uma diferença importante entre o número de mulheres que querem um parto normal e o daquelas que, efetivamente, tomam essa decisão.

Ela cita uma série de fatores que contribuem para a escolha final pela cesariana.

"Pesquisas mostram que em torno de 70% das mulheres querem um parto normal, porém o Brasil está entre os três países com maior número de cesarianas do mundo. E ouvindo gestantes, puérperas e profissionais de saúde, a nossa pesquisa mostra que essa decisão vai muito além de uma escolha individual da mulher. Então a gente esbarra em obstáculos estruturais, informacionais e relacionais que se retroalimentam e que, num momento de insegurança e de dor, acabam favorecendo e gerando gatilhos para uma cesariana, mesmo sem necessidade", diz.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre as cesarianas sem indicação médica.

De acordo com o levantamento, ao longo da gravidez a mulher recebe influências de familiares, profissionais de saúde, experiências de outras pessoas e até de fatores culturais e sociais que podem afetar a decisão pelo parto normal ou pela cesariana.

O estudo ouviu mais de 130 pessoas entre gestantes, puérperas e profissionais de saúde em Belém e São Paulo.

Um dos achados aponta que mães, avós, tias e sogras exercem forte influência sobre as futuras mamães, e que os parceiros podem defender uma cesariana para interromper o sofrimento da gestante em trabalho de parto.

A pesquisa também identificou que a falta de oferta de medicamentos analgésicos faz com que algumas mulheres enxerguem a cirurgia como a única alternativa para lidar com a dor.

Já na rede privada, a estrutura oferecida pode influenciar na escolha pela cesariana, mesmo sem indicação clínica.

Por outro lado, a recuperação mais rápida, o medo da cirurgia e as experiências positivas anteriores aparecem entre os principais motivos para a escolha do parto normal.

Com base nos resultados, o Fundo das Nações Unidas para a Infância lançou a campanha "Parto Normal: uma escolha que merece respeito", que busca incentivar o debate e ampliar o acesso a informações sobre o parto seguro, humanizado e respeitoso.


RadioAgência Nacional

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