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Pico de outubro a dezembro

Rio reforça estrutura de prevenção e pronta resposta contra efeitos do Super El NIño

Projeções indicam 81% de probabilidade de aquecimento acima da média das águas do Pacífico, com impacto na temperatura e nas chuvas


Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio: Estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão, porque esse é um dos efeitos desse super El Niño. Foto: ASCOM Prefeitura

Diante da possibilidade de intensificação do El Niño e de seus possíveis reflexos sobre aumento de temperatura e intensificação de chuvas, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, apresentou, nesta sexta-feira (17/07), a estrutura de prevenção, monitoramento e pronta resposta da cidade para enfrentar eventuais impactos do fenômeno climático. As projeções apresentadas indicam 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro, novembro e dezembro, com possibilidade de seus efeitos se estenderem pelo verão.

Mais de 50 órgãos e agências municipais atuam de forma integrada, apoiados por sistemas de monitoramento em tempo real, cerca de 50 protocolos operacionais e um conjunto permanente de investimentos em infraestrutura, prevenção de enchentes, contenção de encostas, ampliação das áreas verdes e enfrentamento ao calor extremo.

A coletiva de imprensa, realizada no Centro de Operações e Resiliência (COR), contou com a participação das secretarias municipais de Meio Ambiente, Infraestrutura, Conservação, Saúde, Comlurb e Defesa Civil.

— Estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão, porque esse é um dos efeitos desse super El Niño. Somos uma cidade de clima tropical, úmido, com chuvas intensas, com calor intenso e a gente não consegue impedir que o El Niño tenha efeitos sobre o clima do Rio. Mas temos grandes obras de infraestrutura, como o PAC no Jardim Maravilha, PAC em Acari, na Maré, na Rocinha e o PAC em Realengo, com a construção de dois piscinões, um já em andamento e outro em fase de projeto de expansão. São áreas mais sensíveis, mais sujeitas a eventos extremos e riscos no próximo verão. Todas as ações são feitas justamente para minimizar os impactos desse fenômeno, com estratégias de prevenção, treinamento permanente e contínuo da Defesa Civil, integração dos órgãos e as subprefeituras envolvidas — disse o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.

O que é o El Niño e que efeitos produz sobre o clima do planeta, com extremos acentuados

Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que influencia os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta. No Rio, os possíveis efeitos incluem períodos de temperaturas acima da média e alterações no regime de chuvas, forçados pelas chuvas no Sul e as secas no Norte e Nordeste do país.

Rio: uma cidade que se prepara antes da emergência


A capacidade de resposta da cidade passa pelo Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com monitoramento meteorológico realizado. A cidade conta com radares próprios, pluviômetros, estações meteorológicas e sistemas de acompanhamento de núcleos de chuva, raios e riscos de deslizamentos.

Um novo avanço ocorreu em 2024, com a criação do Protocolo de Calor, que estabeleceu uma metodologia própria para monitorar os impactos das altas temperaturas e definir níveis progressivos de mobilização da Prefeitura. O sistema combina informações meteorológicas e indicadores de saúde para orientar as decisões do poder público e proteger principalmente as populações mais vulneráveis. Tudo isso sendo gerido pelo Comitê De Desenvolvimento de Protocolos para Enfrentamento de Calor Extremo.

Cidade tem ações contra calor, com foco em crianças, idosos e pessoas em situação de rua

O planejamento combina informações climáticas e dados de saúde para orientar as decisões do poder público, com atenção especial às populações mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de rua.

A estratégia, reconhecida internacionalmente com o prêmio Bloomberg Philanthropies Mayors Challenge, estabelece níveis de resposta conforme a intensidade e a duração das altas temperaturas, permitindo à rede municipal adotar medidas preventivas, assistenciais e intersetoriais. Os níveis são monitorados pelo Alerta Rio, por meio de um painel e de um sistema de alerta precoce desenvolvido pelo Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS)

São cinco níveis de risco (Calor 1 a Calor 5), definidos pelo índice de calor, que combina temperatura e umidade relativa do ar, e pelo tempo de permanência dessas condições. A classificação considera ainda modelos de previsão para os três dias seguintes, atualizados a cada quatro horas.

A cada mudança de nível, o Centro de Operações Rio comunica a população pelos canais oficiais. O monitoramento meteorológico é feito de forma integrada pelo COR e pela SMS, que também acompanha os indicadores epidemiológicos e assistenciais relacionados aos impactos do calor.

Entre as ações previstas estão o fortalecimento da comunicação de risco, a orientação da população e a preparação das unidades de saúde, com treinamento específico dos profissionais das unidades de urgência e emergência e da Atenção Primária. O protocolo também fortalece a vigilância das arboviroses, por meio do monitoramento contínuo de casos.

A estratégia inclui pontos de resfriamento e ações permanentes de adaptação climática. Clique aqui as ações da Prefeitura do Ri de acordo com os níveis de calor: https://cor.rio/niveis-de-calor/

As ações ambientais da Prefeitura do Rio também ajudam a mitigar o calor. O programa Refloresta Rio já plantou mais de 10,8 milhões de mudas, além de contar com o mutirão de reflorestamento e o Planta+Rio, que tem a meta de plantar mais de 200 mil mudas até 2028, pedidas pela população pela Central 1746.

Atualmente, a cidade conta com 41% do seu território protegido por Unidades de Conservação. Recentemente, foram criadas duas unidades, que deram início ao começo da implantação do Corredor Azul: o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) das Florestas de Jacarepaguá e a Área de Proteção Ambiental das Lagoas de Jacarepaguá (APA).

Outros dois programas da Secretaria de Meio Ambiente e Clima (SMAC) colaboram para os períodos de seca e chuva. O Guardiões dos Rios seleciona moradores das comunidades que ajudam a cuidar dos rios, enquanto o programa Guardiãs das Matas busca lideranças comunitárias femininas para educação ambiental.

Parques ampliam cobertura de vegetação e permitem áreas de refrescamento contínuas

Nos últimos anos, a Prefeitura do Rio investiu na entrega de grandes Parques Urbanos, que ampliam a cobertura de vegetação da cidade, além de oferecer conforto térmico aos cariocas. As iniciativas acontecem em toda a cidade, mas sobretudo nas Zonas Norte e Oeste, áreas mais quentes da cidade.

Na Zona Norte, a Prefeitura do Rio inaugurou o Parque Carioca Pavuna. Próximo à comunidade do Chapadão, um antigo terreno baldio foi transformado num espaço arborizado. Já o Parque Piedade ocupa o antigo campus da Universidade Gama Filho, com um espaço arborizado com parque aquático e cachoeira artificial, áreas de lazer, entre outras benfeitorias. A Zona Norte conta ainda com o Parque Madureira Mestre Monarco. Inaugurado em 2012, o Parque atravessa os bairros de Madureira, Turiaçu, Rocha Miranda, Honório Gurgel e Guadalupe.

Na Zona Oeste, em Realengo, foi entregue o Parque Susana Naspolini, uma imensa área verde para a população, com novas árvores e manutenção das que já existiam. Em Inhoaíba, foi entregue a primeira fase do Parque Oeste. O Parque Deodoro também dá opções de lazer numa grande área verde urbana. E, na Barra da Tijuca, foi entregue o Parque Rita Lee, que tem um bosque entre suas atrações.

Parques Futuros nas Zonas Oeste e Sudoeste atendem Cidade de Deus e Santa Cruz

A prefeitura já anunciou as tratativas para a criação de novos Parques Urbanos. Quatro obras já estão em andamento: a expansão do Parque Realengo; a segunda fase do Parque Oeste; o Parque Terra Prometida, em Santa Cruz, que requalifica a área antes ocupada pela Cidade da Criança; e o Parque Linear da Maré.

A Prefeitura também deverá construir cinco novos parques no futuro: o Parque do Tanque; o Parque da Taquara Fazenda Baronesa; o Parque Guadalupe, o Parque Jardim do Amanhã (Cidade de Deus) e o Parque do Saber (Parada de Lucas/Cordovil).

Prefeitura conta com protocolos para chuvas e 165 sirenes em 103 comunidades

O Rio já conta com ações rotineiras e preventivas para os períodos de chuva. O sistema de alerta da Defesa Civil conta com 165 sirenes instaladas em 103 comunidades e protocolos específicos para interdição preventiva de vias em situações de chuva, vento ou ressaca.

A estrutura de prevenção inclui também três reservatórios de controle de enchentes na região da Grande Tijuca e o desvio do Rio Joana, além do monitoramento permanente de áreas de risco. Para reduzir os impactos de possíveis episódios de chuva forte, a Prefeitura mantém uma série de ações preventivas em toda a cidade.

A Defesa Civil conta com 225 pontos de apoio e mantém ações permanentes de vistoria, capacitação e treinamento da população em áreas de risco. Desde 2014, foram realizados 869 simulados de desocupação em comunidades.

A cidade também dispõe do Cell Broadcast, tecnologia que permite o envio de alertas de emergência geolocalizados diretamente para celulares localizados em regiões sob risco.

Na infraestrutura urbana, as ações incluem limpeza e desobstrução da rede de drenagem, desassoreamento de rios e canais, manutenção de encostas, poda de árvores e implantação de novos sistemas para ampliar a capacidade de escoamento da água.

Em 2026, a Operação Ralo Limpo já atuou em mais de 28,7 mil bueiros e 22,4 mil tampões. Foram mais de 51 mil estruturas limpas pelas equipes da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconserva). O trabalho de limpeza de rios e canais retirou cerca de 257 mil toneladas de resíduos e beneficiou aproximadamente 70 quilômetros de cursos d'água.

A Seconserva mais que duplicou o investimento em ações de combate a alagamentos, de manutenção da rede pluvial e com operações preventivas. De R$ 30 milhões investidos em 2025 para R$70 milhões ao longo de todo o ano de 2026.

Outra operação de destaque é a operação Moto Abre Ralo, iniciada em janeiro, para atuar na prevenção e na ação emergencial contra alagamentos. As motocicletas são equipadas com ferramentas específicas para a desobstrução de ralos e bueiros. Já foram feitos mais de 8,8 mil atendimentos, em 145 bairros da cidade. Com mais de 30 mil quilômetros rodados pelos veículos e mais de 9,6 mil quilos de resíduos retirados.

A Prefeitura também vem implantando mega ralos em pontos estratégicos da cidade, ampliando a capacidade de drenagem em regiões historicamente afetadas por alagamentos.

Obras estruturantes, como o PAC Encostas e o Bairro Maravilha, ampliam proteção da cidade

A preparação do Rio passa também por obras estruturantes destinadas à prevenção de enchentes, alagamentos e deslizamentos.

Entre as intervenções estão o PAC Realengo, que prevê um reservatório com capacidade para 20 milhões de litros de água e novas obras de drenagem; o PAC Acari, com intervenções em 3,8 quilômetros do rio; e as obras em Jardim Maravilha, com a construção de diques e reservatórios capazes de armazenar 231 milhões de litros de água. Também está prevista a implantação do túnel hidráulico do Rio Maracanã, nova etapa do sistema de controle de enchentes da Grande Tijuca.

Na área de contenção de encostas, a cidade mantém obras em andamento. O PAC Encostas representa um investimento de R$ 258 milhões e deve ampliar a segurança de cerca de 60 mil pessoas em áreas de risco.

O Bairro Maravilha é um programa de requalificação urbana que, desde 2021, já beneficiou mais de 75 localidades nas zonas Norte e Oeste, com mais de 200kms de vias urbanizadas. Atualmente, 28 obras estão em andamento. Já são mais de R$1,1 bilhão investidos nestas obras.

Em parceria com o Governo Federal, a Prefeitura do Rio vai fazer três grandes reformulações em três grandes comunidades cariocas: Maré, Rocinha e Complexo do Alemão. O PAC Periferia Viva vai definir um plano de ação, após diálogo com moradores, lideranças e instituições locais, focado em melhorias de infraestrutura e do espaço urbano de cada uma das comunidades.


Prefeitura do Rio

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