O embaixador brasileiro Julio Bitelli, que estava em Buenos Aires, foi convocado para reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o presidente da Argentina, Javier Milei, falar ofensas contra o presidente Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Na diplomacia, o ato de chamar um embaixador para consulta significa um gesto de grave tensão entre os dois países.
O presidente da Argentina participou, no último sábado (25), em São Paulo, da convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O discurso de Milei foi cheio de ofensas ao presidente brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes.
No mesmo dia, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota oficial em que classifica como “referência desrespeitosa” a declaração do presidente argentino.
Fachin deplorou as "manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.
Embaixador argentino
O ministro das Relações Exteriores do Brasil também convocou, no domingo, o embaixador Argentino, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do Brasil contra as ofensas de Javier Milei durante a reunião privada.
Mauro Vieira cobrou explicações sobre o comportamento do presidente argentino em território brasileiro.
Segundo o chanceler brasileiro, "não há precedentes de um presidente estrangeiro" que, em território nacional, agride e ofende "o chefe de Estado, as instituições democráticas, inclusive o Poder Judiciário".
Vieira ressaltou ser "especialmente lamentável" que o episódio envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém mais de 200 anos de amizade e cooperação e "que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial".
*Com informações da Agência Brasil
**Notícia modificada às 13h05 para atualização do texto
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