O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão, responsável por cerca de 85% dos casos da doença. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, deixar o cigarro ainda é a estratégia mais eficaz para prevenir o câncer e dezenas de outras doenças relacionadas ao tabaco. O alerta é do pneumologista Leonardo Pessôa, do Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), unidade gerida pela HU Brasil, durante o mês de conscientização sobre o combate ao tabagismo.
Principal fator
"O cigarro convencional continua sendo, de longe, o principal fator de risco para o câncer de pulmão. A boa notícia é que parar de fumar reduz progressivamente o risco de desenvolver a doença, mesmo para quem fumou durante muitos anos. Sempre vale a pena parar de fumar", afirma o especialista.
Além do fumante, pessoas expostas à fumaça do cigarro também apresentam maior risco de desenvolver câncer de pulmão e outras doenças cardiovasculares e respiratórias. Segundo o médico, o tabagismo está associado a mais de 50 doenças, o que reforça a importância de ambientes livres da fumaça do tabaco e de políticas públicas de prevenção.
Vape preocupa
Embora ainda não existam estudos de longo prazo capazes de definir o impacto dos cigarros eletrônicos sobre a incidência de câncer de pulmão, Leonardo Pessôa destaca que já há evidências suficientes para acender o alerta.
"Sabemos que os cigarros eletrônicos expõem o usuário à nicotina, metais pesados, substâncias cancerígenas e diversos compostos tóxicos que provocam inflamação e lesões pulmonares. Também já está demonstrado que o uso combinado do cigarro convencional e do vape aumenta significativamente o risco de câncer de pulmão", explica.
O especialista acrescenta que o uso do cigarro eletrônico também favorece a iniciação ao tabagismo convencional, especialmente entre os mais jovens.
Diagnóstico precoce
Entre os principais avanços no combate à doença está a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, indicada para pessoas com maior risco, como fumantes e ex-fumantes entre 50 e 80 anos com histórico importante de consumo de cigarros. O exame permite identificar tumores ainda pequenos, antes do surgimento dos sintomas.
"Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado, maiores são as possibilidades de tratamento curativo. Essa é uma mensagem definitiva", ressalta.
O pneumologista destaca ainda a evolução dos tratamentos, com cirurgias menos invasivas, radioterapia de alta precisão, imunoterapia e terapias-alvo para tumores com alterações genéticas específicas, ampliando a sobrevida e a qualidade de vida de muitos pacientes.
Atenção aos sinais
Tosse persistente ou mudança no padrão da tosse, escarro com sangue, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem causa aparente e pneumonias de repetição são sinais que merecem investigação, especialmente em fumantes e ex-fumantes. Além do tabagismo, fatores como exposição ocupacional ao amianto, radônio e outros agentes químicos, histórico familiar e tabagismo passivo também podem aumentar o risco da doença.
Tratamento disponível
Leonardo Pessôa lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja abandonar o cigarro, com acompanhamento multiprofissional, grupos de apoio e medicamentos quando indicados.
"O segredo é simples: nunca fumar ou parar de fumar imediatamente. E, se a pessoa não conseguir sozinha, não deve ter vergonha de pedir ajuda. O tabagismo é uma doença e tem tratamento."
Leonardo Pessôa é professor associado da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordenador do Programa de Controle e Tratamento do Tabagismo da instituição, membro das comissões de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e da Sociedade Latino-Americana de Tórax, além de ex-presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro.
Sobre a HU Brasil
O Huap-UFF integra a HU Brasil desde abril de 2016. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.