Super El Niño, aquecimento acima da média para as águas do Pacífico, leva a picos de calor fora de época, até em cidades de regiões de clima mais temperado, como São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência B
O fenômeno El Niño deste ano pode reduzir a renda e piorar as condições de trabalho em boa parte da América Latina, inclusive no Brasil. Os empregos informais, no campo e ao ar livre serão os mais afetados, alerta nova pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

O alerta aponta para efeitos diferentes, dependendo das regiões e do setor produtivo. Por exemplo, no Brasil, o El Niño tem duas principais consequências. Na região Sul, serão as chuvas acima da média e o risco de inundações. Isso resulta em perdas para a produção agrícola e danos para a infraestrutura de transporte. Os trabalhadores rurais e da construção civil são os mais expostos ao calor.
Já no Nordeste, a tendência é de seca e calor extremo. A eventual quebra de safras pode causar desemprego no campo e a temperatura será prejudicial, por exemplo, para quem atuar no combate a incêndios florestais.
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O estudo da Organização Internacional do Trabalho lembra que o Brasil já possui uma legislação que estabelece limites para a exposição ao calor. Mas o cumprimento desses protocolos é um desafio por causa da informalidade. Entre as recomendações, estão o ajuste dos horários de trabalho conforme a temperatura, e a garantia de áreas de hidratação e descanso.
Mas o El Niño é um problema continental. Este ano, a seca no canal do Panamá pode impactar uma das principais rotas do transporte marítimo mundial. No Peru, a estimativa é de perda de dezenas de milhares de empregos no setor pesqueiro. E na Colômbia, Equador, Venezuela e Bolívia, que têm alta dependência de hidrelétricas, o racionamento de energia pode reduzir a produção da indústria.
Fonte: RadioAgência Nacional