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Ranking de Transparência e Governança Pública 2026 mostra avanço da transparência nos municípios fluminenses

Seis dos 13 municípios alcançaram a classificação “Ótimo” e média geral subiu de 51,03 pontos, em 2024, para 73,21 em 2026

Por Portal Eu, Rio! em 25/08/2026 às 10:33:24

Foto: Divulgação

O Instituto de Direito Coletivo (IDC) divulga os resultados de 2026 do Ranking de Transparência e Governança Pública dos municípios do estado do Rio de Janeiro (ITGP), avaliação que analisa, pelo terceiro ano consecutivo, 13 prefeituras fluminenses. O trabalho conta com apoio técnico e metodologia da Transparência Internacional – Brasil e busca estimular o aprimoramento contínuo da transparência e da governança pública. As seis dimensões analisadas são: Legal; Plataformas; Administrativo e Governança; Obras Públicas; Transparência Financeira e Orçamentária; e Comunicação, Engajamento e Participação. Ao todo, o ITGP considera 75 indicadores.

Em 2026, seis municípios alcançaram a classificação “Ótimo”: Rio de Janeiro (98,81 pontos), Armação de Búzios (92,07), Quatis (87,69), Rio das Ostras (83,05), Petrópolis (82,20) e Macaé (80,79). Outros três foram classificados como “Bom” — Saquarema (76,50), Volta Redonda (72,11) e Três Rios (63,64) — e quatro como “Regular”: Miguel Pereira (58,70), Campos dos Goytacazes (57,76), Teresópolis (52,84) e Araruama (45,62).

O resultado representa uma evolução expressiva ao longo dos três anos de avaliação. Em 2024, apenas dois dos 13 municípios estavam na faixa “Bom”, oito eram classificados como “Regular” e três como “Ruim”. Em 2025, o cenário já havia mudado: nenhum município permaneceu na classificação “Ruim” e um alcançou a faixa “Ótimo”. Em 2026, esse número saltou para seis municípios.

A média das notas dos 13 municípios também apresenta trajetória de crescimento: passou de 51,03 pontos, em 2024, para 63,51 em 2025 e 73,21 em 2026. Em dois anos, a média avançou 22,18 pontos, um crescimento de aproximadamente 43,5%.

Búzios, Quatis e Volta Redonda estão entre os maiores avanços

O comparativo dos três anos evidencia mudanças significativas na pontuação de diversos municípios. O maior crescimento acumulado entre 2024 e 2026 foi registrado por Armação de Búzios, que passou de 47,6 para 92,1 pontos, uma evolução de 44,5 pontos. Entre 2025 e 2026, o município avançou 39,2 pontos e passou da classificação “Regular” para “Ótimo”.

Quatis também apresentou forte evolução: saiu de 45,4 pontos, em 2024, para 87,7 em 2026, crescimento de 42,3 pontos. Volta Redonda teve o terceiro maior avanço acumulado, passando de 31,0 para 72,1 pontos — aumento de 41,1 pontos e mudança da classificação “Ruim”, em 2024, para “Bom”, em 2026.

Também se destacam Rio das Ostras, que avançou 28,7 pontos no período; Três Rios, com crescimento de 24,5 pontos; e Macaé, que aumentou sua pontuação em 24,1 pontos desde 2024.

O movimento, contudo, não foi uniforme. Teresópolis foi o único município a apresentar redução na pontuação acumulada entre 2024 e 2026, passando de 54,4 para 52,8 pontos. Araruama, embora esteja 7,9 pontos acima do resultado de 2024, registrou queda de 5,7 pontos em relação a 2025.

Engajamento das prefeituras é um dos principais resultados do terceiro ciclo

Para o IDC, além das notas, um dos resultados mais relevantes dos três anos de trabalho é o aumento do envolvimento das prefeituras no processo de avaliação.

Em 2026, 10 dos 13 municípios avaliados acessaram a plataforma durante o processo, e oito apresentaram recursos. A etapa permite que as administrações municipais esclareçam onde determinadas informações podem ser encontradas ou apresentem adequações relacionadas aos indicadores avaliados.

Esse mecanismo reforça o caráter educativo e de aprimoramento contínuo do ITGP. O objetivo não é simplesmente atribuir uma nota ou estabelecer uma classificação, mas oferecer às administrações públicas uma referência para identificar pontos de melhoria e ampliar a qualidade e a acessibilidade das informações disponibilizadas aos cidadãos.

“Quando começamos esse trabalho, o diálogo com as prefeituras era muito mais difícil. Ao longo dos anos, percebemos uma mudança importante: os municípios passaram a compreender melhor a avaliação, a participar do processo e a utilizar o momento do recurso para esclarecer informações e buscar melhorias. Para nós, esse engajamento é tão importante quanto a evolução das notas, porque mostra que a transparência pode ser construída como uma política permanente de aperfeiçoamento da gestão pública”, afirma Tatiana Bastos, presidente do Instituto de Direito Coletivo.

Obras públicas continuam sendo o principal gargalo

Apesar da evolução geral, o levantamento mostra que ainda existem desafios importantes. Entre as seis dimensões avaliadas, Obras Públicas permanece como a dimensão de menor desempenho médio, com 56,99 pontos.

A avaliação verifica se os portais municipais disponibilizam informações relevantes sobre as obras públicas, como objeto, valores, empresas responsáveis, prazos, situação de execução e eventuais atrasos ou paralisações.

A dificuldade de reunir e disponibilizar essas informações de forma completa e acessível demonstra que a transparência sobre obras públicas ainda é um dos principais pontos a serem aprimorados pelas administrações municipais.

Transparência como direito do cidadão

O ITGP é construído a partir de metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil, em consulta com especialistas, organizações da sociedade civil e órgãos de controle, buscando incorporar boas práticas nacionais e internacionais de transparência e governança.

A avaliação considera exclusivamente informações públicas disponíveis nos portais oficiais das prefeituras. O índice verifica se a informação existe, se está organizada e se é acessível ao cidadão. Não se trata de uma avaliação da qualidade dos serviços públicos prestados pelos municípios.

Para o IDC, a transparência deve ser compreendida como instrumento de fortalecimento da relação entre poder público e sociedade.

“A transparência não deve ser vista como uma punição para quem ainda tem pontos a melhorar. Ela é um direito do cidadão e, ao mesmo tempo, uma obrigação da gestão pública. O que buscamos com o ranking é criar um processo de aprendizado, diálogo e evolução. Os resultados dos últimos três anos mostram que esse caminho está produzindo mudanças concretas”, afirma Tatiana Bastos.

Três anos de avaliação mostram evolução, mas também desafios

A trajetória do ITGP entre 2024 e 2026 revela uma evolução consistente da transparência municipal entre os municípios avaliados. A média geral aumentou mais de 22 pontos em dois anos, o número de municípios classificados como “Ótimo” passou de um, em 2025, para seis em 2026, e nenhum município permanece na classificação “Ruim”.

Ao mesmo tempo, os resultados demonstram que a transparência plena ainda está distante. Obras públicas, mecanismos de participação social e a disponibilização completa de determinadas informações continuam exigindo atenção das administrações.

O IDC considera que o principal legado do processo é justamente transformar a avaliação em um instrumento permanente de melhoria da gestão pública. Mais do que uma fotografia anual, o ranking permite acompanhar a evolução dos municípios e identificar onde ainda estão os principais desafios.

A transparência é um direito do cidadão e uma obrigação da gestão pública.

Resultado final — ITGP 2026


Sobre o ITGP

O Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) é uma metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil para avaliar a transparência, a governança pública e a participação cidadã em municípios brasileiros. O índice é composto por três módulos avaliados e pontuados separadamente: Geral, Saúde e Adaptação Climática. A aplicação é feita por organizações da sociedade civil em seus próprios territórios, que coletam as informações, analisam os recursos apresentados pelas prefeituras e divulgam os resultados de sua região.

O módulo Geral considera exclusivamente informações públicas disponíveis nos portais oficiais das prefeituras e se organiza em seis dimensões: legislação; plataformas; administrativo e governança; obras públicas; transparência financeira e orçamentária; e comunicação, engajamento e participação. Cada município recebe uma nota de 0 a 100 pontos, classificada em cinco faixas: Péssimo (0 a 19,9), Ruim (20 a 39,9), Regular (40 a 59,9), Bom (60 a 79,9) e Ótimo (80 a 100). Antes da divulgação, todas as prefeituras avaliadas recebem sua nota preliminar e têm prazo para apresentar recursos. A metodologia completa está disponível no site do índice.


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