O juízo da 17ª Vara Criminal da Capital condenou Walace Andrade de Oliveira a 39 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de latrocínio consumado — roubo seguido de morte — contra o policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) João Pedro Marquini Santana e de latrocínio tentado contra a mulher do policial, a juíza titular da 3ª Vara Criminal da Capital, Tula Corrêa de Mello, que sobreviveu ao ataque.
Crime aconteceu ano passado, durante falsa blitz em Vargem Grande, Zona Sudoeste do Rio
O crime ocorreu em 30 de março de 2025, quando um grupo de criminosos realizou uma falsa blitz, durante a noite, na Estrada da Grota Funda, em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. O casal retornava para casa em carros separados.
O policial, que seguia no veículo da frente, foi morto no local com disparos de fuzil efetuados pelos criminosos. O carro da juíza, que vinha logo atrás, também foi atingido por diversos disparos. Por ser blindado, porém, ela conseguiu dar marcha à ré e escapar da abordagem.
Além de Walace, foram denunciados pelo Ministério Público, como integrantes do grupo, Antonio Augusto D’Angelo da Fonseca, Jefferson Rosa dos Reis, conhecido como “Jeffinho do Antares”, Alexandre Costa de Oliveira, vulgo “Preá”, e Alefe Jonathan Ferreira Rodrigues.
Denunciado pelo crime de associação criminosa armada, Antonio Augusto D’Angelo da Fonseca foi absolvido, pois já responde pelo mesmo crime em outro processo, em tramitação na 28ª Vara Criminal da Capital.
O processo de Alexandre Costa de Oliveira foi desmembrado e suspenso em razão de ele estar foragido. Já Jefferson Rosa dos Reis e Alefe Jonathan Ferreira Rodrigues tiveram a punibilidade extinta após a constatação do óbito dos dois réus.
Na sentença que condenou Walace pelo crime de latrocínio consumado, o juiz Fabio Lopes Cerqueira destacou que as provas reunidas no processo demonstram a participação do réu na ação criminosa.
“As provas dos autos são robustas e comprovam que Walace, em conjunto com outros elementos, roubou a arma de fogo e o distintivo da vítima João Pedro Marquini Santana, valendo-se de disparos de arma de fogo que conduziram à sua morte”, afirmou o magistrado.
O juiz também ressaltou a gravidade da conduta de Walace no crime de latrocínio tentado contra a juíza Tula Corrêa de Mello.
“Efetuar disparos de fuzil contra um automóvel que tenta escapar da abordagem configura nítida tentativa de interrupção da fuga para a consumação da subtração patrimonial violenta, denotando dolo de ceifar a vida da vítima para garantir o sucesso da empreitada”, ressaltou.
Processo nº 0057899-74.2025.8.19.0001