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Câmara do Rio concede Medalha Chiquinha Gonzaga à pesquisadora Chrystina Barros

Enfermeira, executiva e professora é também especialista em Ciência da Felicidade

Por Portal Eu, Rio! em 14/09/2026 às 19:21:53

Foto: Divulgação

Na última sexta-feira (11/9), a Câmara Municipal do Rio de Janeiro premiou a enfermeira, executiva, professora e pesquisadora, Chrystina Barros com a medalha de reconhecimento Chiquinha Gonzaga. Graduada pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Turma Alegria, formada em 1995, Chrystina é mestre em Enfermagem pela mesma universidade e doutora em Administração pelo Instituto COPPEAD de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. É também certificada em Ciência da Felicidade no Trabalho pela Universidade da Califórnia, Berkeley.

Nascida e criada em Cascadura, no subúrbio do Rio de Janeiro, começou sua vida profissional pela educação. Formada professora pela Escola Normal Carmela Dutra, ganhou seu primeiro dinheiro dando aulas. Como gosta de dizer, nunca parou de estudar e acredita que educação, saúde e dignidade caminham juntas na possibilidade de cada pessoa transformar a própria história.

Com mais de 30 anos de atuação na saúde, construiu uma carreira que começou na assistência e chegou aos mais altos níveis de gestão. Como enfermeira e mulher, ocupou posições de liderança em um setor historicamente marcado por estruturas hierárquicas, pelo protagonismo médico e por desigualdades entre profissões e entre homens e mulheres. Foi executiva de empresas nacionais e multinacionais, liderando projetos de expansão hospitalar, desenvolvimento de serviços de apoio e implantação de sistemas de gestão da qualidade e segurança.

Também foi CEO de uma empresa de facilities ou, como prefere dizer, de serviços de limpeza, manutenção e infraestrutura dos serviços de saúde. A experiência a levou literalmente aos bastidores das instituições, aos lugares que quase ninguém vê, mas sem os quais nenhum hospital funciona, e ampliou seu olhar sobre os profissionais que sustentam diariamente a operação, muitos deles em atividades essenciais ainda pouco reconhecidas.

Na administração pública, esteve à frente da Gerência de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Cerca de 15 anos depois, retornou à rede municipal como diretora do Hospital Maternidade Paulino Werneck, reencontrando as políticas públicas para as mulheres com novos conhecimentos e experiências acumulados.

Durante sua gestão, o Hospital Maternidade Paulino Werneck avançou como uma maternidade segura e humanizada, articulada à rede de atenção à saúde e comprometida com o cuidado integral da mulher durante o ciclo gravídico-puerperal. “A unidade fortaleceu a formação de novos profissionais, recebeu a certificação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, do Ministério da Saúde, obteve reconhecimento com louvor em processos de avaliação das instâncias estadual e municipal e tornou-se o primeiro hospital público do Rio de Janeiro a conquistar a certificação Great Place to Work”, ressalta Chrystina.

Encerrado esse ciclo, Chrystina aceitou um novo desafio e retornou à oncologia, área que já havia marcado sua história profissional e pessoal. Atualmente, está à frente da Diretoria Nacional de Operações da Oncoclínicas, levando para uma operação de alcance nacional mais de três décadas de experiência em assistência e gestão em saúde.

A sala de aula também atravessa sua história. É professora do MBA Executivo em Gestão de Saúde da Fundação Getulio Vargas e participa como professora e convidada de diferentes espaços de formação e discussão, inclusive no Instituto COPPEAD de Administração, aproximando conhecimento acadêmico e experiência executiva.

Foi também no COPPEAD/UFRJ que desenvolveu sua tese de doutorado sobre a Cadeia Felicidade-Lucro, investigando as relações entre a experiência das pessoas no trabalho, a entrega de valor, os resultados organizacionais e a sustentabilidade dos negócios. Dessa pesquisa nasceu o livro “Felicidade pra quê?”, que leva para além da academia uma ideia central de seu trabalho: felicidade no trabalho é muito mais do que ausência de adoecimento. É criar condições para um trabalho digno, com sentido, participação e resultados sustentáveis.

Essa forma de compreender o trabalho aparece também na maneira como Chrystina se relaciona com as pessoas. Conversa com naturalidade e respeito com o porteiro, profissionais da limpeza e manutenção, equipes multiprofissionais, médicas e médicos, coordenações e direções, assim como com lideranças comunitárias, representantes da Câmara Municipal e autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo, entre elas ministros da Saúde, deputados federais e outros representantes do país. Para ela, posição hierárquica nunca determinou o valor de uma voz.

Durante a pandemia de Covid-19, integrou o Grupo Técnico de Enfrentamento à Covid-19 da UFRJ. Em um período de incerteza e necessidade de informação confiável, colocou sua capacidade de comunicação a serviço da sociedade. Esteve presente em veículos de imprensa nacionais e internacionais, levando conhecimento baseado em evidências e defendendo a ciência, a saúde e a responsabilidade pública, mesmo quando se posicionar significava se expor e enfrentar críticas.

Foi nesse mesmo período que sua experiência profissional na oncologia se encontrou de maneira inesperada com sua própria vida. Depois de ter sido diretora e participado da implantação de um centro dedicado ao cuidado de pacientes com câncer, recebeu seu próprio diagnóstico de câncer de mama. De profissional e gestora do cuidado, passou a experimentar também o lugar de paciente.

Nunca escondeu essa história. Escolheu compartilhá-la para conversar com outras mulheres sobre medo, prevenção, vulnerabilidade e vida real. Aprendeu que o medo pode existir e até proteger, desde que produza ação em vez de paralisia. E, se existe uma palavra que costuma associar ao que o câncer retirou de sua vida, é hipocrisia. A experiência tornou ainda mais importante viver de acordo com aquilo em que acredita.

Sua atuação também já foi reconhecida pelo Poder Legislativo. Recebeu moção honrosa da vereadora Tânia Bastos pelo trabalho desenvolvido na organização do Fórum de Mulheres, quando esteve à frente da Saúde da Mulher na Prefeitura do Rio de Janeiro, além de outras moções de reconhecimento na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Anos depois, os caminhos de Chrystina e da vereadora Tânia Bastos voltam a se encontrar, agora em outro momento de uma história marcada pelo protagonismo feminino e pela presença de mulheres nos espaços de decisão.

E existe a Chrystina que não cabe no currículo. É tia do Bernardo e da Bianca, torcedora do Fluminense e leva o violão por aí sem se preocupar demais se vai desafinar. É a mesma mulher na academia, nos bastidores de um hospital, em uma diretoria nacional ou numa conversa com quem limpa o chão onde o cuidado acontece.

Chrystina Barros representa uma liderança feminina contemporânea, lúcida, técnica, comprometida com a educação, a dignidade no trabalho, a saúde das pessoas e o protagonismo das mulheres. Uma mulher que constrói, inspira e transforma, sem hipocrisia e coerente com os valores que escolheu para conduzir a própria vida.

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