Um ato organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), na noite da última sexta-feira (9), no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, foi alvo de um ataque enquanto reunia cerca de duas mil pessoas em uma manifestação pacífica em defesa da candidatura do presidente Lula no segundo turno das eleições.
A atividade contou com a presença de Benedita da Silva, das deputadas estaduais Renata Souza e Dani Monteiro, do deputado federal Pastor Henrique Vieira, além de representantes do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Trabalhadores Sem Direitos e outras organizações populares.
Segundo relatos da organização, mais de dez objetos foram arremessados de um prédio contra os manifestantes, atingindo duas integrantes do MTST, que ficaram feridas.
As duas vítimas foram encaminhadas à delegacia da Lapa, acompanhadas por advogados do movimento, para registrar a ocorrência e solicitar a investigação dos fatos.
A Polícia Militar foi acionada e agentes realizaram a identificação do local de onde teriam partido os objetos. Também foram solicitadas imagens das câmeras de segurança do edifício para auxiliar na identificação dos responsáveis.
O Comitê dos Comitês e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) estão tomando todas as medidas jurídicas cabíveis e cobrando das autoridades a apuração rigorosa do ataque, a identificação dos responsáveis e sua responsabilização.
Para Gabriel Siqueira, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o episódio representa um grave alerta sobre os riscos à democracia brasileira.
“Para nós, esse ataque é apenas uma amostra do que pode representar um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Nesta semana, ele falou em fechar instituições e mudar a Constituição. Estamos diante do risco de um aprofundamento do autoritarismo, que pode colocar o Brasil à beira de uma ditadura. Não podemos naturalizar a violência política nem permitir que o medo impeça o povo de exercer seu direito de manifestação”, afirmou Gabriel Siqueira.
O MTST e o Comitê dos Comitês repudiaram qualquer forma de violência contra manifestações políticas pacíficas e reafirmaram a importância de garantir a segurança dos participantes, o livre exercício do direito de manifestação e a defesa das instituições democráticas.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que, segundo o comando do 5ºBPM (Centro), nesta sexta-feira (09/10), policiais militares acompanhavam uma manifestação no Largo da Carioca, no Centro do Rio, quando foram arremessados objetos do alto do edifício Avenida Central sobre o grupo. Alguns manifestantes tentaram invadir o prédio, mas foram contidos na portaria. A Polícia Militar interveio para restabelecer a ordem. Após diálogo, eles seguiram em direção à Cinelândia.