Foto: Divulgação/Beatriz Madeira
O Festival Favela Cria realiza sua primeira edição de 30 de outubro a 2 de novembro de 2026, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio. Das 14h às 22h, o público poderá circular por uma programação que reúne música, artes contemporâneas, grafite, literatura, moda, gastronomia, poesia e empreendedorismo. A expectativa da organização é receber cerca de 15 mil pessoas por dia.
No Palco Complexos, o principal do Festival e apresentado pela Petrobras, NandaTsunami e MC Hariel abrem o evento no dia 30 de outubro. O dia 31 será dedicado à celebração dos dez anos do Favela Vive com ADL convidando Dexter, Menor do Chapa, Kmila CDD, MC Marechal, Sant e Carol de Niterói. Em 1º de novembro, a programação traz Tasha & Tracie e Duquesa. No último dia, Baile do Rasta, Ebony e Cash Box sobem ao palco, antes do encerramento com a Equipe Pipo e DJ Zullu.
Os shows são apenas uma parte do festival. Ao longo dos quatro dias, o espaço receberá uma feira de moda com 25 expositores, uma feira gastronômica com 20 participantes e uma feira literária com outros 20. Estão previstas ainda uma exposição de artes contemporâneas com dez artistas e uma exposição de grafite com seis.Todos os selecionados - artistas, escritores e empreendedores de favela - se inscreveram e passaram pelo processo de curadoria do Festival.
No Palco Cria, entre 30 de outubro e 1º de novembro, acontecem as etapas das batalhas de rima e de slam. As finais das duas disputas serão no dia 1º. A Batalha dos Barbeiros terá provas de corte, reflexo alinhado e desenho, uma categoria por dia no mesmo período. O Espaço Rasta Beach receberá DJs residentes ao pôr do sol nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro.
O encerramento, em 2 de novembro, também terá atividades na feira literária, com a Folia de Reis do Morro da Formiga e a apresentação Samba, filosofia e poesia, com Vanessa Pereira.
Um festival construído por quem vive a cultura das favelas
O Favela Cria começou a ser concebido durante a pandemia por Daniel Barcinski, Raull Santiago e Rene Silva, em diálogo com lideranças da cultura periférica. A ideia era criar um projeto capaz de abrir espaço para artistas e empreendedores das comunidades e fortalecer conexões que continuassem depois do evento.
“Depois da pandemia, eu não queria simplesmente voltar a produzir eventos. Queria construir algo que realmente transformasse vidas e permanecesse depois que as luzes se apagassem”, afirma Daniel Barcinski.
Essa proposta aparece na escolha de artistas e curadores. Cada linguagem tem uma curadoria ligada à sua área de atuação: Ivan Errante Costa conduz a seleção literária; Agrade Camíz, a de artes contemporâneas; Jéssica Yjí, a de moda; David Vieira Bispo, a de gastronomia; André Kajaman, a de graffiti; Erica Nunes, a Batalha dos Barbeiros; Rico Neurótico, a batalha de rima; e Preta Poética as seletivas de slam.
A resposta dos artistas já dá uma dimensão do alcance do projeto. Até 16 de setembro, o festival havia recebido 1.559 inscrições de pessoas de 55 municípios fluminenses, distribuídos pelas dez regiões do estado. Desse total, 42% das candidaturas vieram de fora da capital.
O compromisso com a participação das favelas se estende à equipe. Segundo a organização, cerca de 99% dos profissionais envolvidos na realização são oriundos de comunidades. Eles atuam na produção, tecnologia, comunicação, logística, gastronomia, atendimento, montagem e infraestrutura. A estimativa é de aproximadamente 650 empregos diretos e 400 indiretos.
“O Favela Cria foi pensado para ser construído com a favela, e não apenas para falar sobre ela. Queremos que esse compromisso esteja refletido em todas as etapas, dos palcos aos bastidores”, diz Daniel.
Backstage de Cria: cultura, formação e conexões para além do festival
O compromisso do Favela Cria com o fortalecimento das carreiras ganha espaço no Backstage de Cria, braço de educação do festival, com curadoria do YouTube Brasil e do Instituto Papo Reto. Todos os artistas selecionados, de todas as categorias, participam das atividades, que vão reunir palestras, debates, rodas de conversa e encontros para troca de experiências e conexão com o mercado criativo.
Ao longo de dois dias, a programação contará com convidados dos campos das artes, da comunicação e das políticas públicas, com transmissão pelo YouTube Brasil. Entre os temas previstos estão empreendedorismo cultural, leis de incentivo, redes sociais, direitos culturais e possibilidades de viver da arte nas periferias. As conversas também abordarão o papel do funk, do rap e do slam na emancipação dos jovens e o reconhecimento da cultura periférica como parte da cultura brasileira.
A proposta é que os encontros gerem oportunidades que permaneçam depois do festival. Ao aproximar artistas de diferentes linguagens e representantes do mercado, o Backstage de Cria busca consolidar uma rede capaz de fortalecer trajetórias profissionais, ampliar oportunidades de negócios e contribuir para a sustentabilidade dos projetos culturais das favelas nos próximos anos.
Resíduos, acolhimento e acesso gratuito
O planejamento ambiental do festival prevê coleta seletiva, separação de latas nos bares e distribuição de um copo por participante para reduzir o uso de embalagens. Os materiais recicláveis deverão ser encaminhados a cooperativas vinculadas ao Light Recicla, programa que converte o material recolhido em créditos na conta de energia. A intenção é destinar o crédito gerado pelo evento a uma instituição localizada em uma favela, ainda a ser definida.
A organização também prevê contratar uma empresa para calcular as emissões de carbono do festival e adquirir créditos para compensá-las. Essas medidas integram a meta de realizar uma operação de lixo zero.
O evento terá ainda uma área exclusiva de acolhimento para mulheres, com espaço de descanso, área infantil, banheiro exclusivo, itens de higiene e uma sala reservada para atendimento em situações de necessidade.
O Festival Favela Cria é realizado pelo Instituto Papo Reto, Voz das Comunidades, Instituto Ademafia, Instituto Favela Cria e Instituto Pro Bono Brasil. Apresentado pela Petrobras, conta com patrocínio de Vale, Light, Santander, YouTube, Prefeitura do Rio e Grupo Águas do Brasil, por meio de mecanismos de incentivo à cultura nas esferas federal, estadual e municipal.
A entrada é gratuita. Os ingressos podem ser retirados no site do festival, mediante cadastro, com limite de um ingresso por CPF.
SERVIÇO
Festival Favela Cria
Data: 30 de outubro a 02 de novembro de 2026
Local: Praça Marechal Âncora - Rio de Janeiro
Informações e ingressos: https://www.festivalfavelacria.com.br/