Corria o ano de 1982. O Campeonato Carioca levava multidões aos jogos, a magia do torneio estava no ar, nos jornais, na TV, na imprensa como um todo.
Eu, do alto dos meus treze anos, acompanhava extasiado e com empolgação total, às vésperas de um FLAxFLU.
Estampado, nas primeira página do Jornal dos Sports, a rivalidade do clássico: Zico X Zezé. Zezé Gomes era um jogador do Fluminense contratado em 1981 e vinha em 1982 com a fama de craque do tricolor, catapultado pelos jornais e idolatrado, equiparado a Zico do Flamengo.
O dia do jogo aproximava-se e o Maraca estremecia de emoção, lotado, com cento e vinte dois mil espectadores ávidos pela peleja. Indescritível.
Animadíssimo, não consegui ingresso para o jogo, mas estava com o rádio ligado quarenta minutos antes, numa euforia deslumbrante, a esperar a partida. Afinal, como bom Tricolor, tínhamos Zezé Gomes comparado a Zico, e um Flamengo que vinha da conquista da Libertadores e do Mundial de 1981.
Começou o jogo e a alegria era total. Fechado no meu quarto, esta logo se transformou em.... tristeza!!!
Com trinta minutos de jogo, o Flamengo já vencia por três a zero e dominou amplamente o jogo. Decepcionado, me senti enganado e logo percebi que a realidade é que o Flamengo era uma força descomunal, embalado pela conquista da Libertadores e do Mundial. Nada podia pará-lo. Zezé Gomes? Esse mal viu a bola e acabou substituído.
A prostração era total, pela decepção do jogo, pela esperança frustrada, pela raiva contida, pela gozação que, certamente, iria sofrer. Desabei a chorar.
Minha mãe, ouvindo meu choro, veio a me socorro, saber o que ocorrera. Com lágrimas a descer pelo rosto, pronunciei choroso: mãe, o Fluminense perdeu!. Aliviada, por não acreditar na influência de uma partida de futebol e por não ser algo mais sério, comentou: "meu filho, perde hoje, ganha amanhã", me abraçando e consolando.
Sábias palavras. O Fluminense, no ano seguinte, seria campeão carioca e encaixaria três anos de conquistas, o Campeonato Brasileiro inclusive.
Mãe sabe das coisas....