A bola era jogada num bailar desinteressado. O campo, mesclando grama e terra, mais terra do que grama, interpunha-se ao correr da bola.
No campo, 22 jogadores com seus uniformes humildes, sem patrocínio, lutavam para prosseguir, pensando em dias melhores. Em comprar a casa pra família, um carro, pagar as prestações, alimentar os irmãos...
Assim iam e sonhavam: com um olheiro de time grande, com as arquibancadas lotadas, com os cantos das torcidas, com a festa do futebol. Mas, em vez disso, o silêncio de arquibancadas vazias, o vento rasteiro, o calor escaldante. Porém, o amor e a vontade a tudo suplantam e a garra e a gana de vencer aliado à juventude a tudo transformam.
Na bola, a esperança; no coração, a luta; e, nas pernas, o destino. Esse, ainda amargo, trazia sempre a dura realidade, até mesmo após o treino em que discutiam esse ou aquele lance com sorrisos e gargalhadas ao ir para o chuveiro, pois a união faz a força e ameniza o sofrimento até ser servido o lanche: pão francês, margarina (pois a manteiga era cara) e café...