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Entrelinhas

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 21/07/2025 às 08:16:35

Tem gente que lê rápido. Pula palavras, atropela vírgulas, engole o ponto final como quem engole um comprimido - sem querer saborear, só querendo o efeito. Essas pessoas não entendem as entrelinhas. E tudo bem, às vezes a pressa é tanta que a gente mal entende a própria vida, quanto mais o texto alheio.

Mas as entrelinhas… ah, elas são o espaço sagrado. São o silêncio entre uma palavra e outra, o fôlego antes da revelação, a piscadinha que o escritor dá sem dizer nada - e que o leitor atento, sensível, decifra como quem traduz um segredo. Escrever é isso: esconder tesouros no subsolo da frase, esperando que alguém tenha paciência de cavar.

E viver também é isso. A gente vai levando os dias, cumprindo agenda, lavando louça, respondendo mensagem com emoji e dando risada em grupo de WhatsApp. Só que o que realmente importa nunca está escancarado. Mora nos gestos miúdos: no “dorme bem” antes de desligar a chamada, no “foi só isso?” que, na verdade, queria dizer “fica mais um pouco”. A vida se escreve mesmo é nas entrelinhas.

A gente cresce aprendendo a ler textos - mas ninguém ensina a ler intenções, silêncios, hesitações. A escola ensina gramática, mas não ensina que o “tá tudo bem” dito rápido demais pode querer dizer exatamente o contrário. Que “tanto faz” quase sempre significa que faz sim, e muito.

É curioso: quanto mais a gente vive, mais aprende a ler com os olhos de dentro. E percebe que as pessoas mais interessantes não são aquelas que falam bonito - mas as que sabem calar na hora certa. As que deixam espaço para você entrar com a sua interpretação, com a sua vivência, com a sua dor. São as que escrevem a vida como quem escreve poesia: dizendo muito sem precisar dizer tudo.

Por isso, da próxima vez que você ler um texto, ou viver um momento, tente escutar o que não foi dito. Talvez seja ali que more o sentido verdadeiro. E, se não for, tudo bem: o mais bonito das entrelinhas é que cada um entende o que está preparado para entender.

E talvez seja esse o maior milagre da escrita - e da vida. Que mesmo sem garantias, a gente continue lendo, relendo, tentando entender. E, sobretudo, sentindo. Porque no fundo, é esse o nosso único dever: viver como quem lê com atenção. Até as entrelinhas. Sobretudo as entrelinhas.

Até o próximo texto!

@portal.eurio

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