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Para eles, inteira; para mim, metade

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 28/04/2025 às 12:08:09

Sempre achei que fosse boa em dar conselhos. Eu era a amiga que sabia o que dizer, a que tinha as palavras certas na hora certa, a que conseguia acalmar corações inquietos e trazer luz a quem estava perdido no escuro. Eu sabia ouvir e falar, sabia confortar, sabia oferecer um abraço quando a saudade apertava, sabia ser a mão que levantava quem estava caído.

E, por muito tempo, achei que isso era o suficiente. Achei que dar aos outros era o que me preenchia. Ser essa pessoa sólida, essa base de apoio. Eu me sentia bem por ser necessária. Por ser a pessoa que tinha as respostas. E parecia que, de alguma forma, eu estava resolvendo o mundo à minha volta, mesmo que dentro de mim houvesse um caos silencioso.

Mas um dia, no meio de uma conversa sobre algo que eu já tinha falado milhares de vezes para os outros, eu me peguei pensando: "preciso disso também". Eu estava dizendo para uma amiga não se cobrar tanto, para relaxar, para se amar mais. Eu estava dizendo para ela que a vida não precisa ser perfeita, que as coisas se ajeitam, que a paz vem quando a gente entende que tudo bem, não ter tudo no lugar o tempo todo.

E ali, no meio da minha própria fala, percebi que eu mesma não fazia nada disso por mim. Eu não me permitia descansar. Eu não me permitia errar. Eu não me permitia falhar. Eu estava tão acostumada a ser a “sabe-tudo” que esqueci de me permitir errar. Eu estava tão acostumada a ser uma máquina que não dá defeito que esqueci de ser humana. Eu estava tão acostumada a cuidar dos outros que deixei de me cuidar. Eu estava dando o que eu mais precisava sem sequer perceber.

Às vezes, você é exatamente aquilo que mais precisa. Eu estava oferecendo aos outros o amor próprio que não tinha para mim. A calma que me faltava. A paz que eu ignorava. Eu estava ensinando aos outros o que eu mesma não sabia fazer. Eu estava dizendo para eles que não precisam se cobrar tanto, enquanto me cobrava até a última respiração.

Foi difícil aceitar isso. Foi difícil olhar para a minha própria face e ver o que eu estava deixando de lado. Mas, no fundo, a vida é assim. A gente ensina aos outros o que ainda precisa aprender. A gente cuida dos outros e, no processo, percebe que está se esquecendo de si mesma.

Ainda continuo sendo aquela amiga que segura a barra, a irmã que resolve tudo, a filha que não pode falhar. Mas, aos poucos, estou aprendendo a me ouvir, a me aconselhar e a entender minhas próprias necessidades. Estou aprendendo que a generosidade que eu dou ao outro também deve ser direcionada a mim. Estou aprendendo que não posso me despir por completo para agasalhar o outro. Estou aprendendo que a paz começa dentro de mim, antes de ser compartilhada com o mundo.

Eu ainda sou aquela que está de prontidão para ajudar e acolher. Mas agora, ajudo com a consciência de que, para cuidar bem dos outros, preciso primeiro cuidar de mim. Porque, às vezes, o que mais falta em nós é aquilo que mais oferecemos. E, quando a gente percebe isso, tudo muda... Pode acreditar!

Até o próximo texto!

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