TOPO - PRINCIPAL - CARNAVAL 2026 NITERÓI - 1190X148
TOPO - PRINCIPAL - BOM PAGADOR - 1190X148

Expectativas: quem deve o que a quem?

Menina Aleatória, Por Anna Domingues, Escritora

Em 17/11/2025 às 10:33:43

Outro dia me peguei pensando no tal do “mínimo”. Não o salário - esse já sabemos que não dá nem para começar a conversa - mas o mínimo emocional. Aquele conjunto básico de atitudes que esperamos das pessoas: responder mensagem, não sumir no meio do próprio argumento, não tratar carinho como cortesia opcional. O trivial, o arroz com feijão do convívio humano.

O mínimo é curioso. Ele muda de forma conforme o ângulo em que olhamos. Às vezes é só cordialidade. Outras vezes é atenção. Em certos dias, é silêncio. Em outros, é um abraço mais demorado do que o habitual. O mínimo não é tão mínimo assim, ele varia conforme nossa fome de afeto, de ordem, de paz.

O problema é que confundimos o mínimo com aquilo que gostaríamos que o outro adivinhasse. É a expectativa silenciosa, o “ele deveria saber”, que cria atrito nas relações humanas. E aí começa a grande confusão humana: esperar que alguém acesse nossas expectativas como quem abre um livro já marcado com post-its explicativos. Só que ninguém nasce com o mapa afetivo de ninguém. Quem dera… Seria tão mais simples!

Há quem realmente falhe no básico e isso não é filosofia, é constatação prática. Mas há também aqueles que fazem o que podem, à maneira deles, e nós é que ficamos medindo gestos com uma régua imaginária que só existe na nossa própria cabeça. Uma régua inventada, feita de lembranças, expectativas silenciosas e comparações que nem percebemos fazer. E, quando medimos o outro por essa régua invisível, o gesto dele quase nunca alcança o que imaginamos – não porque seja insuficiente, mas porque não foi feito para caber no nosso molde.

Fico pensando se, no fundo, esse dilema não é um convite à honestidade interna. Talvez devessemos ser igualmente responsáveis por aquilo que esperamos em silêncio, por aquilo que gostaríamos que acontecesse sem precisar pedir porque nem sempre falta o mínimo. Às vezes falta nomear o que queremos. Falta admitir que nosso coração, apesar do discurso modesto, deseja mais do que esse tal básico que inventamos para parecer despretensiosos.

No fim, a sabedoria, talvez, esteja em duas atitudes simples: não aceitar menos do que nos faz bem, mas também não cobrar mais do que o outro tem condições de oferecer. O resto é ajuste fino, esse artesanato constante que chamamos de convivência.

Até o próximo texto!

@portal.eurio

https://www.instagram.com/annadominguees/

https://www.wattpad.com/user/AnnaDominguees


POSIÇÃO 2 - DOE SANGUE 1190X148
POSIÇÃO 2 - DENGUE1190X148
POSIÇÃO 2 - VISITE O RIO - 1190X148
POSIÇÃO 3 - DENGUE 1190X148
Saiba como criar um Portal de Notícias Administrável com Hotfix Press.