A infância é o período em que aprendemos muito mais do que ler, escrever ou contar. É também quando descobrimos se nossos sentimentos serão acolhidos ou ignorados, se teremos espaço para falar sobre o que nos machuca ou se será melhor guardar tudo para nós.
As crianças aprendem observando. Quando um adulto responde repetidamente com frases como "isso não é motivo para chorar", "pare de fazer drama", "você precisa ser forte" ou "engole esse choro", a mensagem que pode ficar não é apenas sobre aquele momento. Aos poucos, a criança pode concluir que algumas emoções não são bem-vindas. E, quando isso acontece, ela deixa de compartilhar o que sente. Não porque deixou de sentir. Mas porque aprendeu que sentir incomoda.
É importante destacar que a capacidade de reconhecer, nomear e regular as emoções é construída nas relações. Antes de aprender a lidar sozinha com o que sente, a criança precisa viver experiências em que suas emoções sejam reconhecidas, acolhidas e compreendidas por um adulto de referência. Isso não significa concordar com todos os comportamentos ou dizer "sim" para tudo. Acolher emoções não é permitir qualquer atitude. É possível estabelecer limites e, ao mesmo tempo, validar o sentimento que existe por trás daquele comportamento.
Criar espaços de diálogo, estabelecer limites e ensinar a nomear os sentimentos é uma combinação que ajuda a criança a compreender que sentir raiva, medo, tristeza ou frustração não a torna errada. Apenas a torna humana. Quando isso não acontece, algumas crianças passam a esconder o que sentem. Com o tempo, podem se tornar adolescentes que têm dificuldade para falar sobre seus problemas e adultos que acreditam que precisam resolver tudo sozinhos, que sentem culpa ao pedir ajuda ou que carregam um sofrimento silencioso por não saberem como expressar as próprias emoções.
Portanto, quando uma criança chora, nem sempre ela precisa que alguém resolva imediatamente o problema. Muitas vezes, ela precisa apenas sentir que existe um adulto disposto a permanecer ao seu lado enquanto ela organiza aquilo que ainda não consegue colocar em palavras. É nesse espaço de acolhimento que nasce a segurança emocional. Além disso, fica claro que não existem famílias perfeitas, nem infâncias livres de frustrações. O que fortalece o desenvolvimento emocional não é a ausência de erros, mas a presença de vínculos em que a criança se sinta segura para ser quem é, inclusive nos dias em que estiver triste, com medo ou decepcionada.