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Saúde mental não é só para adultos

Saúde Mental e Bem-Estar, Por Andréa Ladislau, Psicanalista

Em 14/10/2026 às 20:23:32

O mês das crianças chegou e ele é sempre festivo, colorido e alegre, envolto na atmosfera lúdica que a infância provoca. Porém, em tempos tão intensos e corridos, esse universo de descobertas e emoções nem sempre compreendidas, muitas vezes acompanhado da dificuldade natural de expressar sentimentos em palavras, também pode revelar alterações comportamentais que merecem atenção. Dificuldade para brincar com outras crianças da mesma idade, recusa frequente em ir para a escola, resistência em participar de grupos, dificuldades para dormir ou se concentrar, entre outras manifestações, podem indicar que algo não vai bem. Ou seja, ser criança também pode envolver experiências de sofrimento e desconforto emocional.

Nesse sentido, fica claro que a saúde mental infantil deve ser uma prioridade no cuidado, assim como acontece com os adultos. As crianças também podem apresentar transtornos emocionais e comportamentais em diferentes etapas da infância. Alguns mais leves, outros mais intensos, com manifestações que variam conforme a idade e o desenvolvimento de cada uma. Sinais de ansiedade, angústia, medo excessivo, choro frequente sem motivo aparente, alterações bruscas de humor, mudanças no apetite, irritabilidade, agressividade incomum, alterações persistentes do sono e enurese (xixi na cama), especialmente quando surge após a criança já ter adquirido o controle urinário, são situações que merecem atenção. Principalmente quando persistem ou começam a interferir na rotina e no bem-estar da criança.

Entre as condições que podem afetar a saúde mental das crianças estão os transtornos de ansiedade. A ansiedade é uma resposta emocional que pode envolver preocupação, medo e nervosismo. E, no caso das crianças, esse estado também pode se manifestar, embora nem sempre da mesma maneira que nos adultos. Medos e inseguranças fazem parte do desenvolvimento infantil e muitos tendem a diminuir conforme a criança amadurece. Porém, quando são intensos, persistentes ou prejudicam suas atividades e relações, precisam ser avaliados com mais cuidado.

Se você identificar que seu filho está apresentando sinais de sofrimento emocional, não se desespere. O primeiro passo é procurar compreender melhor o que está acontecendo e envolver a família nesse processo de cuidado. Os pais precisam entender que nem toda dificuldade emocional exige medicamentos ou tratamentos mais intensivos. Muitas situações podem ser acompanhadas com orientação profissional, acolhimento e mudanças na forma como a família e a escola lidam com as necessidades da criança. O importante é não ignorar os sinais nem reforçar comportamentos que possam ampliar o sofrimento. Demonstre carinho, procure o diálogo e ofereça acolhimento. O bom gerenciamento das emoções não significa reprimi-las.

Enfim, a empatia, o acolhimento e a escuta ativa são, sem sombra de dúvidas, pilares importantes para o cuidado com a saúde mental de uma criança. Portanto, procure compreender seu comportamento, tomando o cuidado de respeitar seus limites e sua individualidade. Estimule a reflexão e o diálogo e esteja atento à necessidade de acompanhamento psicológico ou de outros profissionais de saúde quando surgirem sinais persistentes de sofrimento emocional.

Lembre-se: quando uma criança enfrenta dificuldades, toda a família pode ser afetada. E, por trás de um comportamento, pode existir uma necessidade que precisa ser compreendida.

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