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Em um momento em que o mundo enfrenta os impactos da crise climática, o reuso da água desponta como uma solução estratégica. Esse foi o tema central do I Fórum de Reuso de Água, realizado nesta terça-feira (10), na sede da concessionária Águas do Rio, no Centro do Rio. O evento, promovido pelo Instituto Reuso de Água — organização sem fins lucrativos fruto de uma parceria Brasil-Portugal —, reuniu importantes nomes da área ambiental, acadêmica e do setor privado de saneamento básico, para debater a viabilidade, os desafios e os caminhos para o avanço do reuso no Brasil.
A proposta do encontro foi apresentar o reuso como uma alternativa viável e sustentável para garantir a segurança hídrica, a universalização do saneamento e na construção de cidades mais resilientes. Ao longo do dia, foram apresentados três painéis temáticos, que contaram com a participação de especialistas renomados, como o professor José Vieira (Universidade do Minho/Portugal), Tatiana Carius (diretora Institucional da AEGEA), Miguel Fernandéz (presidente do CREA/RJ), Gesner Oliveira (sócio do GO Associados), Eduardo Pedroza (gerente de Novos Negócios da GS Inima Brasil), Marcus Vallero (Gerente de Novos Negócios da Veolia), Frieda Cardoso (Copasa) e Marília de Melo (Secretaria de Meio Ambiente de MG).
Na abertura do Fórum, Tatiana Carius, diretora Institucional da AEGEA, destacou a importância da água de reuso. “Por muito tempo se duvidou da viabilidade do abastecimento industrial com água de reuso. Hoje, temos tecnologia capaz de produzir água com qualidade para diversos setores, de forma segura e eficiente”, afirmou.
Tatiana ressaltou ainda que o reuso deve ser encarado como uma solução capaz de conciliar os interesses sociais, ambientais e industriais. Segundo ela, a concessionária já investiu R$ 4 bilhões em saneamento básico, desde o início da concessão, e pretende avançar na integração do reuso em ações estratégicas para enfrentar os efeitos dos extremos climáticos, como a seca registrada em fevereiro deste ano.
Luana Pretto, diretora executiva do Instituto Trata Brasil, foi enfática ao apontar que o reuso será essencial em um futuro cada vez mais instável. “Com o aumento da temperatura global e o crescimento populacional, o quanto mais vamos precisar retirar dos rios se não avançarmos no reuso?”, questionou. Segundo estudo do instituto, a demanda poderia ser 70% maior se nada mudar. Ela reforçou que o avanço no saneamento e o uso eficiente da água são peças-chave para assegurar o abastecimento para toda a população.
Projeto pioneiro no Rio une indústria e sociedade
Durante o Fórum, foi destacado um projeto de vanguarda liderado pela AEGEA e Braskem, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ), que será abastecido cem por cento com água de reuso. O acordo, firmado em fevereiro, prevê a construção de uma estação de tratamento de esgoto e redes coletoras, por meio de investimentos antecipados pela AEGEA à Águas do Rio. A iniciativa vai beneficiar diretamente mais de 260 mil pessoas com saneamento básico, ao mesmo tempo em que fornecerá água de reuso à unidade industrial da Braskem, que por sua vez não precisará retirar mais água do rio Guandu, principal manancial da Região Metropolitana.
“Estamos criando um ciclo sustentável que beneficia a indústria, as comunidades e o meio ambiente. É um modelo que pode e deve ser replicado”, afirmou Alexandre Perufo, diretor Executivo da AEGEA.
Além dos ganhos sociais e econômicos, o projeto também colabora com a recuperação da Baía de Guanabara. O esgoto antes despejado nos rios da região, que têm como destino a baia, será desviado para a estação de tratamento, onde será transformado em água de reuso. O contrato, com duração de 30 anos, representa um marco na gestão hídrica do Estado.