Cantos, cores e diferentes tradições religiosas ocuparam a orla de Copacabana neste domingo (21), quando aconteceu a 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. O encontro, promovido pela CCIR e pelo CEAP, celebrou a união inédita de credos em um mesmo espaço, reafirmando que diversidade e democracia caminham lado a lado.
O Portal Eu, Rio! conversou com Ivanir dos Santos, Babalawô, professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ (PPGHC/UFRJ). O sacerdote é interlocutor da CCIR.
Portal Eu, Rio!: Qual é o principal significado da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa?
Ivanir dos Santos: Ela é um chamado coletivo para a construção de uma sociedade mais humana, plural e democrática. Mais que um evento, é um marco na defesa dos direitos humanos, da fé e do respeito às diferenças.
PER: Por que a união inédita de religiões é tão simbólica?
IS: Porque a CCIR é única no mundo. Consegue reunir candomblé, umbanda, católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, budistas, hare krishnas, ciganos, wiccanos, mórmons e muitos outros segmentos. Esse feito é histórico e demonstra que a convivência pacífica e respeitosa entre diferentes crenças é possível.
PER: O que os números da intolerância religiosa mostram?
IS: Revelam a urgência do movimento. Até setembro de 2025, já havia 51 ocorrências no estado do Rio de Janeiro, superando 2024 (38 casos) e 2023 (44). As vítimas mais atingidas continuam sendo membros de religiões de matrizes africanas. Isso comprova que a intolerância religiosa não é um problema isolado, mas um desafio estrutural que precisa ser enfrentado.
PER: Como a Caminhada dialoga com a democracia?
IS: O respeito à fé do outro é parte essencial da democracia. Quando há violência contra uma crença, há ameaça ao próprio Estado Democrático de Direito. A Caminhada, ao unir diferentes tradições, fortalece as bases democráticas do Brasil.