Uma grande intérprete do fado aquece a voz para o reencontro com o público no Brasil. Neste domingo (23), Carminho sobe ao palco do Vivo Rio para uma apresentação única na cidade. Em turnê mundial, ela vem ao país para a 15ª edição do Festival Fado, mostrando as canções de seu novo álbum, "Eu vou morrer de amor ou resistir" (Sony Music). O trabalho revela uma artista cada vez mais autoral e voltada à temática feminista.
A cantora portuguesa assina oito das 11 faixas do álbum, que nasceu da reflexão sobre o papel da mulher no fado e na sociedade em geral. “Morre-se muito de amor no fado, mas resistir é algo que me interessa cantar”. Fui inspirada pela mulher — pela ideia de que a mulher sempre ocupou um lugar central como intérprete, mas há muitas narrativas paralelas e ambíguas dentro da própria mulher", explica a fadista.
No palco, Carminho apresenta canções do novo disco, como "Balada do país que dói", "Lá vai Lisboa", "Pela minha voz" e "Saber" (esta última teve a participação de Laurie Anderson no álbum). O Brasil também está presente no repertório, com "Sabiá", de Tom Jobim e Chico Buarque, que ela gravou em 2016. O setlist inclui ainda "O Quarto", da trilha sonora do filme "Pobres Criaturas", com Emma Stone.
Ao longo do show, o fado ganha novas texturas: instrumentos tradicionais do gênero, como a guitarra portuguesa e a viola de fado, são mesclados com guitarra elétrica, Mellotron e Cristal Baschet. Caminho buscou inspiração nos conjuntos de guitarras portuguesas e em grandes vozes como Maria Teresa de Noronha, Beatriz da Conceição e Teresa Siqueira (sua mãe).
Carminho tem uma relação de longa data com o Brasil. Em duas décadas de carreira, lançou sete álbuns de estúdio e gravou ao lado de nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Marisa Monte e Milton Nascimento. Em 2016, a fadista recebeu um convite da família Jobim para gravar “Carminho canta Tom Jobim”, com a banda que acompanhou o maestro nos seus últimos 10 anos de vida. Já o álbum “Portuguesa”, de 2023, incluiu parceria dela com Marcelo Camelo em “Levo o meu barco no mar”. No ano passado, gravou dueto com Caetano em “Os Argonautas”, consolidando seu vínculo com a música brasileira.
Em seu retorno ao Brasil, Carminho diz que se sente muito à vontade no país. “O Brasil é uma segunda casa, um lugar onde não sinto estranheza alguma. Aqui eu me relaciono profundamente com a música. Quero sempre gravar música brasileira e trabalhar com artistas brasileiros porque é um terreno muito fértil. A língua portuguesa é incontornável, é a nossa maior relação, que nos torna únicos. E por isso há uma pluralidade e uma conexão maravilhosa”, garante.
A cantora se apresenta com uma banda formada por André Dias (guitarra portuguesa), Flávio Cardoso (viola de fado), Tiago Maia (baixo acústico), Pedro Geraldes (guitarra elétrica) e João Pimenta Gomes (Mellotron, Ondes Martenot e Cristal Baschet).
SERVIÇO
Carminho / Festival Fado