Blocos de rua, que não cobram ingresso nem padronizam fantasia, tendem a concentrar maiores públicos no Carnaval da mão fechada. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
“As mulheres se identificam com a ideia da peça, com a tentativa de diminuir a voz feminina e impor descrédito. Nós, mulheres, precisamos colocar a nossa voz. Eu acho que esse espetáculo é um grito contra o apagamento feminino, contra o machismo estrutural”. A avaliação é da atriz Adriana Rabelo, que interpreta a escultora francesa Camille Claudel em um monólogo que narra a trajetória da artista. O espetáculo Visitando Camille Claudel chegou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) na terça-feira, 3 de fevereiro, na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Monteiro.
A apresentação integra mais uma edição do Justiça em Cena, programa teatral promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ). A peça aborda as descobertas da infância e o talento desde criança, a luta para se afirmar como mulher e artista em Paris, além da conturbada história de amor com Rodin. Camille foi uma escultora em uma época em que a profissão era exclusivamente masculina. Enfrentou o machismo, mas, por lutar pelos seus direitos, foi internada em um hospital psiquiátrico, onde viveu os últimos anos de sua vida.

O projeto trata de questões universais e profundamente atuais, como equidade de gênero, saúde mental, apagamento feminino e machismo estrutural. Adriana Rabelo contou sobre o impacto da peça e sua presença na atualidade. “Essa peça dialoga com os dias de hoje. Mostra o adoecimento da mulher em função do machismo estrutural. A peça é quase que uma terapia, uma análise. Camille revisita todos os momentos da vida dela”, afirmou a atriz.
Em Visitando Camille Claudel, o cenário é parte essencial da encenação. Adriana molda a cerâmica, manipula bonecos e utiliza todo o espaço cênico como elemento fundamental da narrativa.
A peça segue em cartaz nos dias 4, 10 e 11 de fevereiro, às 18h30, na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Monteiro. Os ingressos para as próximas apresentações já estão esgotados.
Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro