No Dia Internacional da Mulher, trajetória de empresária no setor de alimentação destaca planejamento, reinvestimento e expansão orgânica como estratégia de consolidação
Às vésperas de completar dois anos de operação, a Cafeterisa, cafeteria artesanal localizada no bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, consolida-se como exemplo de empreendedorismo feminino baseado em planejamento, reinvestimento e expansão orgânica. A trajetória da administradora Tatiana Paes Barreto ganha relevância no contexto do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, data que destaca o protagonismo das mulheres na economia e na geração de renda.
Formada em Administração de Empresas, com MBA em Gestão Empresarial e MBA em Gestão de Projetos com visão PMI, além de formação em Business e Executive Coach, a empresária iniciou o negócio com cerca de R$ 1.500. O valor foi destinado à compra de utensílios e ingredientes para testar receitas e validar o modelo.
“Compramos apenas o necessário para testar algumas receitas e validar o produto. O crescimento foi totalmente orgânico”, afirma Tatiana Barreto.
Durante o primeiro ano, os equipamentos foram adquiridos gradualmente, sempre com recursos próprios. No início, a produção utilizava equipamentos domésticos. Com o aumento da demanda, foram incorporados refrigerador, freezer e, posteriormente, a estrutura física da loja para atendimento ao público. Segundo a empresária, a decisão de evitar endividamento foi estratégica.
“O crescimento seguiu uma lógica de segurança financeira. Crescimento sustentável é mais forte do que crescimento rápido”, ressalta.
Produção própria e identidade de marca
Um dos principais diferenciais do negócio foi a verticalização da produção. Pães, bolos, salgados e doces passaram a ser feitos internamente, o que ampliou o controle de qualidade e fortaleceu a identidade da marca.
“O investimento mais estratégico foi produzir internamente, o que permitiu diferenciação e construção de identidade própria”, explica Tatiana Barreto.
A produção artesanal inclui itens sem glúten, sem lactose, sem conservantes e opções sem açúcar, além de folhados premium. De acordo com a empresária, os produtos próprios apresentam melhores margens e menor concorrência direta.
Atualmente, parte do lucro é reinvestida na estruturação de uma cozinha com maior capacidade produtiva, com foco em padronização de receitas, melhoria de equipamentos e possibilidade de fornecimento para outros estabelecimentos.
Gestão técnica e rotina operacional
Tatiana Barreto destaca que a formação técnica contribui para o planejamento, mas a operação diária exige acompanhamento constante.
“A estratégia define o caminho, mas a operação mostra a realidade. Planejar é essencial, mas executar bem é o que mantém o negócio vivo”, afirma.
A rotina envolve controle de estoque, acompanhamento de custos, ajustes de processo e atendimento ao cliente. Segundo a empresária, a experiência oferecida vai além do produto.
“Uma cafeteria artesanal não vende só café: vende experiência, cuidado e confiança”, ressalta a empreendedora.
Desafios do empreendedorismo feminino
No contexto do Dia da Mulher, a Tatiana Barreto aponta que um dos desafios foi enfrentar percepções estereotipadas sobre liderança feminina. “Muitas vezes o empreendedorismo feminino ainda é visto como algo emocional demais, quando na verdade exige disciplina, estratégia e coragem”, avalia Tatiana Barreto.
O ponto de equilíbrio financeiro foi alcançado ao longo do primeiro ano, com a consolidação de clientela recorrente e ajustes no cardápio e nos custos operacionais. Hoje, a empresa registra crescimento gradual no fluxo de novos clientes, impulsionado pelo fortalecimento da marca local.
Próximos passos
Para os próximos 12 a 24 meses, o planejamento inclui ampliar a produção de itens congelados artesanais, estruturar novos canais de venda e consolidar a marca como referência no bairro. A expansão seguirá baseada em viabilidade operacional e controle financeiro.
A trajetória reforça a presença crescente de mulheres à frente de pequenos negócios no país, com foco em sustentabilidade financeira e gestão estruturada. No Dia Internacional da Mulher, histórias de empreendedoras que investem em planejamento e identidade própria evidenciam como disciplina e estratégia podem transformar iniciativas de pequeno porte em empreendimentos consolidados.