Chacinas triplicaram e mortes mais que dobraram, na comparação entre fevereiro de 2026 e igual mês no ano passado
A cidade do Rio de Janeiro registrou um aumento alarmante na violência armada no último mês de fevereiro. Segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, o número de mortos por disparos na capital saltou de 25, em 2025, para 49, em 2026, um crescimento exponencial de 96%. O levantamento, que compara os índices de criminalidade e letalidade na metrópole, aponta que o aumento da violência foi impulsionado principalmente por operações policiais e disputas territoriais entre grupos criminosos, consolidando um cenário de insegurança para a população civil.
O balanço detalhado mostra que a gravidade dos incidentes também cresceu: o número de feridos subiu de 11 para 19 (alta de 72,7%), enquanto as chacinas triplicaram, passando de uma ocorrência em fevereiro de 2025 para três no mesmo mês deste ano. Pelo critério do Instituto, uma chacina é configurada quando três ou mais civis são mortos em um mesmo evento. Em 2026, as operações policiais e os confrontos entre facções foram os principais vetores dessa violência, sendo responsáveis por 12 mortes cada.
Para Carlos Nhanga, coordenador regional do Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, os dados refletem uma violência mais letal e concentrada. Ele destaca que o aumento de baleados em disputas reforça a urgência de uma mudança de estratégia na segurança pública. “Isso reforça a necessidade de políticas públicas que vão além da resposta policial imediata, com investimento em inteligência, presença do Estado nos territórios e proteção efetiva à população civil que vive no meio desses conflitos”, analisa.
Diante de indicadores tão severos, torna-se imperativo que as autoridades estaduais priorizem políticas públicas focadas na redução da letalidade. O fortalecimento de ações de inteligência e o controle rigoroso de operações em áreas residenciais são passos fundamentais para interromper o ciclo de mortes e garantir o direito básico à vida e à segurança dos cidadãos cariocas.