Homens são mais vulneráveis à depressão e ao isolamento após a separação, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amosragem de Domicílios. Foto: Marcelo Camargo Agência Brasil
Uma das datas mais populares do calendário brasileiro já chegou… seja para quem está namorando, casado… ou para quem ainda está à procura de um par.
Impulsionada por campanhas publicitárias e pelas redes sociais, a ideia de que um relacionamento amoroso traz felicidade aparece com força nessa época. Mas será que estar com alguém garante mesmo mais qualidade de vida? A mentora em vida saudável e terapeuta integrativa Jhenevieve Cruvinel avalia que ter relacionamentos formais nem sempre resulta em mais saúde.
Solidão pode causar diversos transtornos emocionais, como ansiedade, aumento da compulsão alimentar, dificuldade de manter uma rotina mais saudável e pensamentos pessimistas que podem gerar depressão. Mas tanto a solidão quanto estar acompanhado têm seus desafios. Estando acompanhado, o estresse das relações traz dificuldades emocionais acentuadas e pode causar doenças psicossomáticas ou autoimunes.
Levantamentos do Ministério da Saúde indicam que pessoas casadas ou em união estável apresentam menor taxa de mortalidade. Esse resultado está associado, principalmente, à redução de comportamentos de risco e a uma percepção mais positiva sobre a própria saúde, quando comparadas às pessoas solteiras.
Porém, a especialista analisa que, em muitos casos, a qualidade de vida pode piorar quando se está em um relacionamento.
Pessoas que crescem em situação de vulnerabilidade social, violência familiar, uso de álcool e drogas têm uma propensão a enxergar essa realidade como natural. Têm uma propensão maior a se colocar em relações de risco. Pessoas que sofreram violências na infância tendem a repetir esses padrões de comportamento nas suas famílias.
Um estudo publicado na revista científica internacional Nature Human Behaviour, que analisou mais de 100 mil indivíduos em sete países, também aponta diferenças importantes. A pesquisa revela que pessoas fora de relações formais têm risco significativamente maior de desenvolver depressão. Entre os mais vulneráveis estão homens ocidentais e indivíduos com maior nível de escolaridade.
Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre o impacto da separação, diferente para homens e para mulheres.
Dados da PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, mostram que, após uma separação ou divórcio, os homens tendem a apresentar piora nos indicadores de saúde física e mental, além de aumento no isolamento social e queda nos cuidados pessoais.
Entre as mulheres solteiras, há mais bem-estar, redução do estresse e retomada mais rápida das relações de amizade. Embora possam consumir mais álcool e tabaco, por outro lado costumam praticar mais atividade física.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o que realmente faz diferença é a qualidade dos vínculos e o equilíbrio na vida pessoal.
Fonte: RadioAgência Nacional