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No dia 15 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, uma data criada para chamar a atenção para um problema que muitas vezes acontece dentro de casa e permanece invisível aos olhos da sociedade. A violência contra idosos pode se manifestar de diferentes formas, incluindo agressões físicas, abuso psicológico, exploração financeira, abandono e negligência nos cuidados básicos, comprometendo não apenas a saúde, mas também a dignidade e a qualidade de vida dessa população.
Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), nos primeiros meses de 2025, o número de casos de violência contra os idosos no Brasil aumentou 38%, com mais de 65 mil denúncias registradas. Esse número acende um alerta e chama a atenção para um cenário bastante preocupante, pois muitos idosos são vítimas de abusos em suas próprias casas.
Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, especialistas alertam para a necessidade de ampliar o debate sobre o tema e fortalecer os mecanismos de proteção. Muitas vítimas não denunciam os abusos por medo, dependência emocional ou financeira e receio de perder os vínculos familiares.
Segundo a médica geriatra Polianna Souza, cofundadora do canal Longidade, a identificação precoce é uma das principais ferramentas para interromper situações de violência e evitar consequências mais graves.
"Mudanças de comportamento, isolamento social, medo excessivo de determinados familiares ou cuidadores, lesões frequentes, perda de peso sem explicação, falta de higiene e até movimentações financeiras incomuns podem ser sinais de alerta. Quanto mais cedo essas situações forem percebidas, maiores são as chances de proteger o idoso e oferecer a assistência necessária", explica.
Além dos impactos físicos e financeiros, a violência contra idosos pode deixar marcas profundas na saúde mental. De acordo com o psicólogo Francisco Carlos Gomes, também cofundador do canal Longidade, as consequências emocionais costumam ser duradouras e afetam diretamente a autonomia e a qualidade de vida da vítima.
"O abuso pode gerar sentimentos de medo, tristeza, vergonha e impotência. Não é raro que idosos vítimas de violência desenvolvam quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e isolamento social. Em muitos casos, eles deixam de participar de atividades que antes lhes davam prazer e passam a se afastar do convívio social", explica.
Segundo o especialista, a criação de ambientes seguros para acolhimento e escuta é fundamental para que os idosos se sintam confortáveis para relatar situações de abuso. "Muitas vítimas convivem diariamente com o agressor ou dependem dele para atividades básicas. Por isso, é importante que familiares, amigos, vizinhos e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais e saibam como oferecer apoio. O acompanhamento psicológico também pode ser essencial para fortalecer a autoestima, a resiliência e o sentimento de segurança", ressalta.
Para os especialistas, combater a violência contra a pessoa idosa é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. Informação, atenção e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários são medidas fundamentais para garantir que o envelhecimento aconteça de forma segura, respeitosa e digna.
"Envelhecer com dignidade é um direito de todos. A conscientização é o primeiro passo para identificar situações de abuso, romper o silêncio e construir uma sociedade mais acolhedora para as pessoas idosas", conclui Polianna Souza.