Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Desafio coletivo

Saúde mental entra na pauta dos escritórios e tribunais

Livro propõe nova cultura para a advocacia


Fátima Antunes. Foto: Divulgação

A saúde mental l, tema abordado pela pesquisadora, psicóloga e professora, Fátima Antunes, dialoga potencialmente com mais de 2 milhões de pessoas diretamente ligadas ao universo jurídico brasileiro, sem contar magistrados, promotores, defensores públicos, servidores do Judiciário, professores e pesquisadores da área

A saúde mental deixou de ser uma questão individual para se tornar um desafio coletivo dentro das organizações. O aumento dos casos de ansiedade, estresse crônico, síndrome de burnout e esgotamento emocional colocou o tema no centro das discussões sobre produtividade, relações profissionais e qualidade de vida. No universo jurídico, marcado por cobranças permanentes, prazos rigorosos e alta responsabilidade, o problema ganha contornos ainda mais preocupantes.

É nesse contexto que a psicóloga, professora universitária e pesquisadora Fátima Antunes lança o livro "Advogar sem Adoecer", uma obra que propõe uma mudança de cultura na forma como a advocacia lida com o trabalho, o desempenho profissional e o autocuidado. A publicação chega em um momento oportuno. Empresas, instituições e órgãos públicos em todo o país vêm ampliando o debate sobre riscos psicossociais no ambiente laboral, reconhecendo que fatores como excesso de pressão, jornadas prolongadas, sobrecarga emocional e hiperconectividade podem comprometer a saúde dos trabalhadores.

"Durante muito tempo, falar sobre sofrimento emocional no ambiente profissional foi visto como sinal de fraqueza. Hoje sabemos que ignorar esses sinais custa caro para as pessoas, para as organizações e para a sociedade. O adoecimento mental não escolhe profissão, cada atividade profissional possui suas especificidades em termos de fatores de risco psicossociais, assim também é na advocacia", afirma Fátima Antunes.

A autora destaca que os profissionais do Direito convivem diariamente com situações que exigem elevada demanda psicológica e, por vezes, baixo controle sobre as tarefas. Conflitos, disputas, decisões que impactam vidas, responsabilidade técnica e pressão por resultados fazem parte da rotina de milhares de advogados brasileiros. "O profissional do Direito lida constantemente com expectativas, urgências e conflitos. Quando não existem estratégias adequadas de gerenciamento do estresse, o organismo passa a operar em modo de sobrevivência. A longo prazo, isso pode gerar adoecimento físico e emocional", explica Fátima.

Em "Advogar sem Adoecer", Fátima apresenta ferramentas práticas e cientificamente fundamentadas para ajudar profissionais a desenvolverem recursos de proteção emocional. O livro aborda temas como inteligência emocional, mindfulness, gestão do tempo, organização da rotina, construção de limites saudáveis, prevenção do burnout e fortalecimento de redes de apoio. A autora também chama atenção para um aspecto frequentemente negligenciado: o impacto do sofrimento emocional na qualidade das decisões profissionais.

"A clareza mental é um dos ativos mais importantes para quem trabalha com o Direito. Um profissional exausto tende a apresentar mais dificuldade de concentração, maior irritabilidade e redução da capacidade analítica. Cuidar da saúde mental também é uma forma de preservar a qualidade técnica do trabalho", destaca. Ao longo da obra, o leitor é convidado a refletir sobre hábitos, crenças e modelos de trabalho que se tornaram naturalizados no ambiente jurídico. A proposta não é reduzir a excelência profissional, mas torná-la sustentável.

"Não existe incompatibilidade entre sucesso e bem-estar. O desafio contemporâneo é construir carreiras duradouras sem que a saúde seja sacrificada no processo. A advocacia precisa ser um projeto de vida, não um fator de adoecimento. Mais do que um livro sobre gestão do estresse, Advogar sem Adoecer é um convite à construção de uma nova mentalidade profissional, baseada em equilíbrio, consciência, propósito e humanidade", conclui Fátima.

Quantos advogados existem no Brasil?

Segundo o quadro estatístico atualizado do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o Brasil possui atualmente cerca de 1,49 milhão de advogados regularmente inscritos. Somando inscrições suplementares, estagiários e consultores estrangeiros, o universo ligado à advocacia ultrapassa 1,6 milhão de registros ativos.

Os estados com maior número de advogados são:

São Paulo: cerca de 393 mil advogados;

Rio de Janeiro: cerca de 163 mil;

Minas Gerais: cerca de 150 mil;

Rio Grande do Sul: mais de 101 mil;

Paraná: mais de 96 mil.

Quantos estudantes de Direito existem?

Os números variam conforme a metodologia utilizada pelo MEC e pelo Inep, mas os levantamentos mais recentes apontam que o curso de Direito permanece entre os maiores do país, com algo em torno de 700 mil a 900 mil estudantes matriculados em graduação. O Direito segue figurando entre os cursos superiores com maior número de alunos no Brasil.

O tamanho do público alcançado pelo tema

Somando:

cerca de 1,5 milhão de advogados;

aproximadamente 800 mil estudantes de Direito;

Um dado frequentemente citado em estudos da advocacia é que o Brasil possui uma das maiores concentrações de advogados do mundo, com aproximadamente um advogado para cada 140 habitantes, dependendo da metodologia utilizada e do período analisado.

"Com cerca de 1,5 milhão de advogados e quase 1 milhão de estudantes de Direito, o Brasil abriga uma das maiores comunidades jurídicas do planeta. Em um ambiente marcado por pressão constante, prazos rigorosos e hiperconectividade, a saúde mental deixou de ser uma questão individual para se tornar um desafio coletivo da advocacia."

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!