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Terço arrancado, calça arriada

Civil abre inquérito sobre tentativa de homicídio contra idoso agredido em Copa por intolerância politica

Vítima é militante do PT e usava adesivo de Benedita da Silva no momento do ataque; delegado marca diligências para terça


Advogado Rodrigo Amaral explicou que gravidade do ataque determinou mudança do inquérito de lesão corporal leve para tentativa de homicídio contra Mauro Rocha, de 69 anos. Foto Reprodução WhatsApp

A 12ª DP (Copacabana) abriu inquérito policial na tarde desta segunda-feira (15) para investigar a tentativa de homicídio doloso contra Mauro Figueiredo Rocha, de 69 anos. O idoso foi agredido com socos e chutes por um homem e duas mulheres que, segundo a vítima, aparentavam ser lutadoras de artes marciais e gritavam “É Bolsonaro” enquanto desferiam os golpes. A suspeita é que o crime tenha sido motivado por intolerância política. A vítima é militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e usava um adesivo da deputada federal Benedita da Silva colado na mochila no momento das agressões.

Inicialmente, o caso foi registrado na 14ª DP (Leblon) como lesão corporal leve, mas devido à gravidade dos ferimentos e da ocorrência, a defesa requereu a apuração de tentativa de homicídio e a apreensão das imagens das câmeras de segurança do entorno. O chefe de polícia informou que fará diligências no local do crime até a manhã desta terça-feira (16).



As agressões aconteceram na noite de 11 de junho, na Rua Viveiros de Castro, em frente ao prédio onde Mauro reside. De acordo com o relato da vítima, ele foi seguido e intimidado por um homem logo após sair do teatro, por volta das 22h50. Quando chegou em frente à portaria do condomínio onde mora, duas mulheres já o esperavam no local e começaram a agredi-lo. O homem que seguiu Mauro pela rua se uniu ao grupo para cometer as violências. O idoso foi imobilizado com uma mata-leão por uma das mulheres e teve o terço que carregava no pescoço arrancado.

“Ela queriam me matar. O tempo todo eles gritavam que eu ia morrer e que a minha igreja não prestava, sempre com palavras de ordem enaltecendo Bolsonaro. Nunca tinha tomado um mata-leão na vida, fiquei sem respirar, sem conseguir me defender. Eles arriaram a minha calça e fiquei só de cueca no meio da rua. Eu só estou vivo porque um homem forte e alto se meteu entre mim e os agressores e mandou eles pararem. Eles me largaram e saíram rindo. Eles estavam se divertindo com aquela violência toda”, contou Mauro, ainda em estado de choque, com um olho roxo e escoriações espalhadas pelo rosto.

Os três agressores ainda não foram identificados pela polícia. Mauro acredita ter sido vítima de uma emboscada e afirmou não conhecer o trio.

“Isso não foi uma simples agressão. O fato de agredir um idoso já é um crime grave por si só, mas o que aconteceu foi tentativa de homicídio por motivação política. Isso fere o direito à livre manifestação garantido pela Constituição Federal. As imagens das câmeras de segurança serão fundamentais para ajudar a identificar esses três criminosos e fazer justiça, enfatizou o advogado Rodrigo Aguiar Amaral.


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