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Deputado estadual, ex-vereador e ex-assessor são investigados por ligação com Terceiro Comando Puro

Val Ceasa, Ulisses Marins e Michael Johnny, preso em flagrante por porte ilegal de arma, teriam tentado impedir demolição de imóvel

Por Portal Eu, Rio! em 18/06/2026 às 14:48:37

MPRJ investiga ligação de parlamentares com facção criminosa Terceiro Comando Puro. Grupo teria tentado obter informações sigilosas sobre operação destinada a demolir 'resort' do TCP. Foto: Divulgação

Por determinação do procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu, nesta quinta-feira (18/06), 14 mandados de busca e apreensão contra três agentes públicos investigados por suposta ligação com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Foram alvos das medidas o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador do Rio de Janeiro Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.

O procurador-geral de Justiça informou que as diligências resultaram na apreensão de R$ 341 mil em espécie, cinco armas, 11 aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e munições de diversos calibres. Além disso, o investigado Michael Johnny de Azevedo e uma mulher que o acompanhava foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Todo o material apreendido foi encaminhado para a Cidade da Polícia e será submetido à análise pericial em uma nova fase da apuração, que buscará aprofundar a identificação de eventuais vínculos dos investigados com a organização criminosa.

"Esses fatos preocupam profundamente o Ministério Público, pois revelam um processo de degradação do ambiente político que vem se tornando cada vez mais evidente. Há poucos meses, o Ministério Público denunciou e obteve a prisão de um deputado estadual ligado ao Comando Vermelho, que já possuía condenação por lavagem de capitais antes mesmo de ingressar no Parlamento. Agora, apuramos a possível vinculação de outro agente político a uma facção rival", explicou Antonio José Campos Moreira. "A preservação do Estado Democrático de Direito e o fortalecimento da democracia exigem instituições fortes. Não podemos admitir que o Parlamento seja ocupado por figuras comprometidas com organizações criminosas ou com práticas incompatíveis com os valores democráticos e republicanos", afirmou o PGJ.

Segundo as investigações, os suspeitos teriam atuado para obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pela organização criminosa em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, Zona Norte do Rio. Eles teriam alegado que os imóveis eram destinados à prestação de serviços sociais, o que, de acordo com as apurações, não correspondia à realidade e contribuiu para o adiamento da ação policial.

Os mandados foram expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e são cumpridos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços na capital fluminense e no Espírito Santo.

A Alerj divulgou nota oficial, anunciando colaboração com as investigações:

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.

Fonte: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e Alerj

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