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Antes tarde do que nunca

Brasil assina acordo de reparação de vítimas da violência do Estado, até trinta anos depois dos fatos

Solenidade no MPRJ marca cumprimentos de recomendações internacionais de Direitos Humanos; inquérito da chacina de Acari é reaberto


O Brasil assinou, nesta terça-feira (30), acordos de reparação perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O documento foi firmado durante cerimônia na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro, e marca o cumprimento de recomendações internacionais voltadas à proteção dos direitos humanos.

Os acordos tratam de dois episódios. O primeiro ocorreu em 1996, quando Maicon de Souza Silva, de dois anos, morreu, e Renato da Paixão, então com seis anos, ficou com sequelas após serem baleados durante uma operação policial em Acari. O segundo é referente a José Carlos da Silva, morto enquanto estava sob custódia no Complexo Penitenciário de Bangu, em 2006.

Participaram da cerimônia representantes do governo, do Judiciário e familiares das vítimas.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre o acordo do governo federal com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos para reparar vítimas de violência policial e suas famílias.

Em seu pronunciamento, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, lembrou que "existem famílias no Brasil que convivem, durante décadas, com sucessivas violações de direitos humanos; acumulando perdas, traumas e a constante sensação de que a proteção do Estado lhes chegou tarde ou simplesmente não chegou".

"Sabemos que nenhum acordo devolve vidas, nenhum acordo elimina a dor, nenhum acordo apaga décadas de sofrimento. Mas os acordos que hoje assinamos possuem um significado profundo. Representam o reconhecimento de responsabilidades. Representam o compromisso de transformar essas histórias em mudanças institucionais concretas. O ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reafirma o seu compromisso com a implementação integral desses acordos. Com a centralidade das vítimas, com a reparação integral e com o fortalecimento do sistema Interamericano de Direitos Humanos como um instrumento de justiça. diálogo e proteção da dignidade humana", afirmou.

Segundo o Ministério Público, a assinatura dos acordos representa o reconhecimento das violações cometidas e reforça o compromisso do Estado brasileiro com a reparação às vítimas, a preservação da memória e a adoção de medidas para prevenir novos casos.

O MP também determinou o desarquivamento das investigações sobre a chacina de Acari.


RadioAgência Nacional

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