Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Redução de mortes, só no Piauí

Negros correm quatro vezes mais risco de serem mortos pela polícia do que os brancos no Brasil

Sétima edição do relatório Pele Alvo aponta aumento de 6,4% na letalidade policial no Rio e mais oito estados


Operação Contenção nos Complexos do Alemão e da Penha provocou número recorde de mortes por ação policial. Foto: Tomaz Silva//Agência Brasil

Pesquisa aponta que 86% dos mortos por intervenção policial no país são pessoas negras. A maioria são homens jovens de até 29 anos que vivem em periferias e favelas. O relatório divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança reúne dados das secretarias estaduais de segurança pública de nove estados brasileiros.

As informações revelam que a polícia matou 4.430 pessoas no ano passado - 312 delas eram crianças e adolescentes de até 17 anos. A sétima edição do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” aponta um aumento de 6,4% da letalidade em nove estados monitorados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a correlação entre violência policial e racismo no Brasil, estudada pela Rede de Observatórios de Segurança.

No Amazonas, 96% das vítimas da polícia eram pessoas negras. Na Bahia, em apenas 19 dias de 2025 não houve registros de mortes por agentes públicos de segurança. No total, foram 1.570 mortes - cerca de 1.200 eram pessoas negras. No Pará, o ano em que Belém sediou a COP30 foi também quando o estado alcançou o maior número da série histórica de letalidade policial, com 632 mortes. Além do Pará, Ceará, Maranhão e São Paulo também registraram o maior número de mortes desde 2019, quando o levantamento começou a ser realizado.

O coordenador da pesquisa da Rede Observatórios da Segurança, Jonas Pacheco, explica que, além de o racismo seguir presente nas políticas de policiamento, existe um discurso da eficiência da segurança por meio do uso de tecnologias para o emprego de ações violentas, como o “prisômetro”, mecanismo que contabiliza prisões e capturas em tempo real em São Paulo.

"Como que a gente vai enquadrar dentro desse cenário de produtividade policial essas mais de 800 mortes provocadas em São Paulo. O discurso que se tem é que você tendo uma ação mais violenta, um enfrentamento mais envasado, você consegue reduzir o crime. E o que os números mostram é que não é bem por aí. A gente sabe que não existe uma correlação estatística ou ou técnica entre a polícia matar mais e o crime diminuir"

Em Pernambuco, a letalidade policial aumentou 30% e pessoas negras têm onze vezes mais chances de serem mortas pela polícia. No Rio de Janeiro, uma única operação policial nos complexos do Alemão e da Penha deixou 121 mortos em outubro do ano passado, a maior chacina registrada na capital carioca. No total, o estado do Rio de Janeiro registrou 800 mortes no ano, e em São Paulo, foram 834.

O único estado monitorado com redução nos índices foi o Piauí, onde foi criada a Superintendência de Promoção da Igualdade Racial e adotados protocolos antirracistas na Polícia Militar do estado. Esses fatores contribuíram para a queda dos índices no ano passado, segundo o relatório. Jonas Pacheco ressalta que o exemplo do Piauí ainda é um caso isolado.

"As nossas polícias militares, polícias civis são estaduais, o governo estadual acaba tendo maior incidência sobre a segurança. Uma coisa que falta um pouco, justamente por ter esse caráter estadualizado da segurança, essa troca de boas práticas entre as polícias, entre os secretários de segurança. E uma possibilidade que isso pode abrir agora é que com a aprovação do SUSP, você tenha algumas medidas mais integradas com base no governo federal que todos os estados venham a cumprir. Então, talvez essas experiências possam ser mais compartilhadas".

De acordo com o relatório, os dados fornecidos por secretarias de segurança pública de estados como Maranhão e Ceará ocultam o perfil racial de mais da metade das vítimas. A falta de informações detalhadas mantém invisibilizado o recorte racial da letalidade das polícias. Ainda assim, o cálculo da taxa de mortes por cem mil habitantes, calculada de forma separada para a população negra e branca, aponta que pessoas negras correm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que as pessoas brancas.


RadioAgência Nacional

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!