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Coca-Cola e Tesla pedem isenção do tarifaço para itens de interesse americano

Produtores de arroz e café sustentam importância brasileira para o consumidor ianque, em audiência sobre o tarifaço

Por Portal Eu, Rio! em 07/07/2026 às 16:03:49

Dependência de insumos e produtos finais fabricados aqui, reconhecida por marcas do peso da Tesla e da Coca-Cola, é maior trunfo dos negociadores brasileiros para evitar o tarifaço de 37,5%. Foto: A

Setores de café e arroz brasileiros defenderam a isenção no primeiro dia de audiência pública sobre tarifas dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. Os debates acontecem em Washington, capital norte-americana.

Nessa segunda-feira (6), falaram representantes dos setores próximos ao agronegócio e alimentação.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, faz parte da delegação que participa das audiências e destacou que o perfil dos debates foi mais técnico e aprofundado.

"O entendimento dos impactos para a indústria americana, o entendimento dos impactos na inflação, no consumidor norte-americano. Isso permeou todos os debates, desde aqueles produtos que receberam críticas por concorrer com produtos norte-americanos e principalmente aqueles que não têm suas concorrências, pelo contrário, tanto contra a parte dos Estados Unidos quanto às brasileiras, defendendo a lógica das exportações sem tarifas".

O setor de café defendeu a isenção para cafés verdes e o torrado moído, que representam 90% do que o Brasil exporta para os Estados Unidos, segundo Marcos. E o café solúvel também entrou na discussão.

"Os Estados Unidos não têm uma indústria suficiente para os cafés solúveis, e utiliza isso para outros processos industriais. Então foi uma discussão muito rica, muito importante, e mesmo aquelas cadeias que têm, sim, rivalidade com Brasil, os oficiais também fizeram perguntas críticas. Então mostra que há um entendimento maior da importância da degradação de valor, da estabilidade de preços e dessa atuação conjunta dos setores privados do Brasil e dos Estados Unidos".

A diretora executiva da Abiarroz, Andressa Silva, disse que a audiência foi um espaço para esclarecer que o produto brasileiro atende a comunidade latina nos Estados Unidos e precisa ficar sem as tarifas.

"Respondendo a pergunta que nos foi feita pelo comitê, o arroz produzido nos Estados Unidos não substitui naturalmente o arroz brasileiro em função da preferência e do perfil dos consumidores atendidos. Então diante das informações que nós apresentamos, a Abiarroz espera que o comitê realize uma avaliação cuidadosa no sentido de manter as exportações brasileiras de arroz sem a incidência de tarifa adicional".

O site do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recebeu comentários públicos sobre esse processo. Empresas como Coca-Cola e Tesla defendem que os produtos que têm interesse não sejam taxados por impactos na produção e nos preços. Já pecuaristas norte-americanos defendem a tarifa sobre a carne brasileira.

O debate trata da investigação comercial que propõe uma taxação de 37,5% sobre produtos brasileiros. Ela é dividida em duas: uma de 25%, por supostas práticas anticompetitivas, em que um dos alvos é o PIX, e a outra de 12,5%, porque o Brasil supostamente não fiscalizaria a importação de produtos feitos com trabalho forçado. A decisão final está marcada para sair no dia 15 de julho.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a audiência pública em Washington a respeito do tarifaço proposto pelo USTR, escritório de comério exterior dos Estados Unidos, sobre as exportações brasileiras para o país.

Por Portal Eu, Rio!

Fonte: RadioAgência Nacional

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