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Levantamento internacional

Estudo revela que brasileiros vivem mais, mas passam 12,5 anos da vida com alguma doença

Para especialista em perfil comportamental, cenário reforça a importância de investimento para a longevidade


Foto: Divulgação
Viver mais não significa, necessariamente, viver melhor. Um recente estudo internacional publicado na revista científica The Lancet Public Health aponta que os brasileiros passam, em média, 12,5 anos de suas vidas convivendo com alguma doença, limitação ou incapacidade. O período representa um aumento de 2,1 anos em relação a 1990. O levantamento analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023 e colocou o Brasil na 16ª posição entre os países com maior diferença entre a expectativa total de vida e a expectativa de vida saudável, indicador conhecido como lacuna de morbidade. Para Bernadete Lima, especialista em perfil comportamental e criadora do projeto JQVE (Jardim que Você É), a discussão sobre longevidade precisa ir além da expectativa de vida e considerar também a qualidade dos anos conquistados.

“Eu mesma descobri que a vida começa depois dos 60 anos. Aos 57, eu carregava uma empresa trintenária, tinha três filhos, uma casa para administrar e um casamento que estava terminando. Quando a união acabou de vez, decidi tomar a rédea da minha vida. Há 30 anos atuo como empresária no ramo de paisagismo e busco uma vida saudável para ter longevidade”, afirma.

O levantamento, que tem como base o Global Burden of Disease 2023 (Estudo Carga Global de Doenças), um dos principais bancos de dados internacionais sobre saúde, considera que diferentes condições que podem afetar a população e permite comparar a expectativa de vida com o período vivido em condições consideradas saudáveis. Embora dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considerem que a expectativa de vida no país está em torno de 76 anos, o estudo mostra que o aumento da longevidade não foi acompanhado, na mesma proporção, pela ampliação do período vivido com saúde e autonomia.

A chamada lacuna de morbidade representa justamente essa diferença: quantos anos, em média, uma pessoa pode viver com alguma doença, limitação ou incapacidade antes do fim da vida. Para os pesquisadores, os resultados indicam que as políticas públicas de saúde precisam ampliar o foco. Além de reduzir a mortalidade, seria necessário investir em medidas capazes de aumentar o número de anos vividos com autonomia e qualidade de vida. Entre as estratégias apontadas estão o fortalecimento da prevenção, da reabilitação e dos cuidados de longo prazo, especialmente diante do envelhecimento da população mundial.

Assim, o cenário que se coloca em evidência é um desafio que tende a ganhar ainda mais importância nos próximos anos: não basta viver mais; é preciso ampliar o número de anos vividos com saúde, autonomia e propósito. Para Bernadete, a mudança também passa por uma postura individual diante do envelhecimento.

“Longevidade não deveria ser apenas contar quantos anos ainda temos pela frente. É preciso pensar em como queremos viver esses anos. Cuidar do corpo, da mente, das relações e também da vida financeira faz parte desse processo.”, afirma a especialista.


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