Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Concurso válido até 2027

Aprovados em concurso da Polícia Civil fazem ato por convocação

Sem cronograma para ingresso na Acadepol, candidatos realizam manifestação nesta quarta (2) em frente ao TJRJ


Foto: Divulgação

Sem um cronograma de convocação e ainda à espera de uma definição do Governo do Estado, 1.177 aprovados no concurso para investigador da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) realizarão, nesta quarta-feira (2), um novo ato para cobrar o ingresso no curso de formação da Academia Estadual de Polícia Sylvio Terra (Acadepol). A manifestação está marcada para as 12h, em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), no Centro, e conta com o apoio de Policiais Civis da ativa.?

Os candidatos já passaram por etapas como prova objetiva, teste de aptidão física, exame psicotécnico e exame de saúde. O grupo aguarda a convocação para o curso de formação, que integra a segunda fase do concurso.

A mobilização dá continuidade às cobranças feitas ao Governo do Estado. Em abril, os aprovados realizaram uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Agora, pretendem obter uma definição sobre o aproveitamento dos candidatos e retomar o diálogo com o governador em exercício, Ricardo Couto.

De acordo com Valmir Olímpio, representante da Comissão dos Aprovados, os concursos para investigador e inspetor foram realizados no mesmo período, com provas aplicadas em 2022 e etapas semelhantes. Porém, os dois grupos tiveram desfechos diferentes nas convocações para o curso de formação. Cerca de dois mil candidatos a inspetor teriam sido convocados, 700 investigadores ingressaram na Acadepol e outros 1.177 continuam aguardando.

A comissão também aponta um déficit superior a 50% no quadro da Polícia Civil e sustenta que a maior parte das vacâncias está concentrada na atual carreira de oficial de Polícia Civil. Os números são utilizados pelo grupo como um dos argumentos para defender o aproveitamento dos excedentes.

Em outubro de 2025, a Lei Complementar Estadual nº 224, juntamente com a Lei 11.003/2025, ratificou a unificação dos cargos de inspetor de polícia, investigador policial e oficial de cartório policial, que passaram a integrar a carreira de oficial de Polícia Civil.

A legislação prevê ainda a possibilidade de convocação de candidatos excedentes durante a validade de concurso homologado quando houver cargos vagos na respectiva classe, respeitada a ordem de classificação.

Encontros com o governo

Segundo Valmir, representantes dos aprovados já estiveram em três ocasiões com o governador em exercício, Ricardo Couto.

No primeiro encontro, em 10 de junho, a comissão apresentou a situação dos candidatos e, de acordo com o representante, foi orientada pelo governador a protocolar um requerimento na Casa Civil para a abertura de um processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), com o objetivo de analisar a possibilidade de aproveitamento dos aprovados.

O segundo encontro foi em 25 de junho. Valmir afirma que, na ocasião, Couto informou que analisaria a situação e pediu que o grupo retornasse em duas semanas, o que ocorreu 50 dias depois. A comissão diz, no entanto, que quer uma nova reunião.

Ainda de acordo com o representante, o processo administrativo passou por diferentes setores do governo e atualmente está na Secretaria de Estado de Polícia Civil. Até o momento, segundo a comissão, não foi apresentado um cronograma para a convocação dos 1.177 candidatos.

Para Valmir, a ausência de uma definição é uma decisão política. A comissão argumenta que, diante da existência de cargos vagos e da validade do concurso, o Estado poderia aproveitar os candidatos que já concluíram a primeira fase do certame.

Segundo ele, durante a manifestação realizada em abril, em frente à Alerj, o grupo chegou a conversar com o presidente da Casa, Douglas Ruas. "Na ocasião, não houve uma resposta concreta, apenas um 'vamos ver' e uma promessa, não cumprida, de falar novamente como governador", contou Valmir.

Espera interfere em planos

Além da mobilização coletiva, os anos de espera também têm provocado impactos na vida profissional e pessoal dos candidatos.

Guilherme Oliveira, de 26 anos, conta que se preparou durante um ano para o concurso e acreditava que seria chamado na sequência das turmas anteriores. Para ele, ingressar na Polícia Civil representava a realização de um projeto profissional antigo.

“A Polícia Civil do Rio sempre foi um sonho para mim. Então, isso representa um sonho que pode se realizar”, afirma.

Segundo Guilherme, a indefinição fez com que decisões importantes fossem adiadas. Ele relata que deixou de assumir uma oportunidade profissional por acreditar na possibilidade de convocação e afirma que outros candidatos enfrentaram situações semelhantes.

“Essa longa espera fez com que alguns planos tenham ficado de lado, como fazer uma faculdade e estudar para novos concursos, pois a todo tempo a administração pública nos dava esperança de convocação. Alguns colegas até largaram o trabalho por causa dessa promessa de convocação”, relata.

Carina Estevam, de 34 anos, também reorganizou os planos após ser aprovada. Ela conta que começou a estudar para concursos aos 18 anos e viu no resultado a possibilidade concreta de iniciar uma nova trajetória profissional.

“Quando eu soube da aprovação, foi uma mistura de felicidade, alívio e esperança. Eu sabia que ainda existiam etapas pela frente, mas acreditava que, depois de toda a preparação e com a necessidade de efetivo que a Polícia Civil enfrenta, a convocação aconteceria dentro de um prazo razoável”, diz.

Mãe de um filho, Carina afirma que a falta de uma previsão oficial interfere em decisões profissionais, financeiras e pessoais.

“Com o passar do tempo, você fica em uma espécie de limbo: não consegue simplesmente tratar aquilo como algo que não existe, porque você foi aprovado e existe uma expectativa de convocação, mas também não consegue planejar sua vida completamente em função de algo que não tem data”, afirma.

Para ela, mais difícil do que o tempo de espera é a ausência de informações concretas sobre o futuro dos candidatos.

“A espera, por si só, já é difícil, mas quando existe uma previsão, um cronograma ou uma comunicação oficial, você consegue se organizar emocional e financeiramente. O que mais desgasta é não saber!”, reclama.

Carina resume a situação vivida desde a aprovação: “É doloroso demais realizar um sonho pela metade. Você conquistou a aprovação, mas agora vai ter que esperar para poder vivê-lo", diz.

Governo confirma validade do concurso até 2027

Procurado pela reportagem, o Governo do Estado foi questionado sobre a possibilidade de convocação dos 1.177 candidatos, a existência de eventuais impedimentos orçamentários, fiscais, administrativos ou jurídicos, a possibilidade de apresentação de um cronograma e se haverá algum representante do governo para receber os manifestantes no ato de 2 de setembro.

Em resposta, por meio do núcleo de imprensa do Governo do Estado, a Polícia Civil informou que cerca de três mil novos policiais foram convocados e incorporados aos quadros da corporação nos últimos anos.

“Entre 2023 e 2024, mais de 1.600 agentes também foram formados, ampliando a presença da corporação em todo o estado”, divulgou a nota.

O governo confirmou ainda que o concurso realizado em 2021/22 permanece válido até 2027 e que existem candidatos excedentes aptos à convocação.

O comunicado, no entanto, não disse se existe previsão ou cronograma para a convocação dos 1.177 candidatos, nem esclareceu se há algum impedimento orçamentário, fiscal, administrativo ou jurídico para o chamamento. Também não respondeu se o governador em exercício ou algum representante do governo pretende receber os manifestantes no dia do ato.

Deputado defende convocação

Presidente da Comissão de Servidores Públicos da Alerj, o deputado estadual Flávio Serafini afirmou que não foi procurado pela atual comissão dos aprovados, mas disse acompanhar a situação do concurso e já ter cobrado a convocação.

“Não fomos procurados pela comissão atual, mas acompanhamos a realização do concurso e cobramos a convocação dos aprovados, a realização da Acadepol e a respectiva nomeação. A Polícia Civil tem muitas vacâncias e é fundamental que mais aprovados façam a Acadepol e sejam nomeados”, declarou.

Além da reivindicação pela convocação, o ato terá caráter solidário. A organização pede aos participantes que levem 1 kg de alimento não perecível para doação.

A deputada estadual Martha Rocha, que também é policial civil, foi procurada pelo Portal Eu, Rio! para opinar sobre a questão, mas não retornou. O espaço continua aberto.

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!