Notícia de fato apresentada à Procuradoria-Geral da República nesta quarta-feira (3) pelos deputados federais do PT Lindbergh Farias (RJ) e Rogério Corrêa (MG) pede a apuração de possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, advocacia administrativa e delitos conexos. A representação se baseia em mensagens e áudios revelados pelo ICL Notícias que indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria custeado os deslocamentos aéreos do deputado Nikolas Ferreira (PL) após sua eleição em 2022 e, posteriormente, usado esse vínculo para tentar interferir na atuação parlamentar do deputado.
Segundo a petição, Vorcaro afirmou em mensagens: “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”. Em abril de 2024, depois de Nikolas criticar evento patrocinado pelo Banco Master e cogitar acionar a Corregedoria do CNJ, o banqueiro mobilizou interlocutores para conter o parlamentar e questionou se os dois estavam “do mesmo lado”. Após as cobranças, as mensagens registram pedido de perdão, manifestação de “gratidão” e a informação de que uma publicação teria sido retirada, deixando Nikolas na “categoria amigo”. Para os parlamentares, a sequência precisa ser investigada para esclarecer se houve condicionamento da atividade parlamentar em razão das vantagens recebidas.
A representação também aponta que, em março de 2025, Nikolas procurou Vorcaro, chamou-o de “Dani” e “lindão” e pediu ajuda para um negócio minerário de interesse de Thiago Faria, seu advogado e ex-assessor, posteriormente relacionado a empresas investigadas na Operação Rejeito. O contrato previa remuneração de 25% do lucro de uma operação estimada entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões. Lindbergh e Rogério pedem à PGR que obtenha as comunicações integrais de Vorcaro, identifique todos os voos custeados em favor de Nikolas, investigue os contatos relacionados ao negócio minerário e requeira ao STF, se necessário, o afastamento de sigilos para esclarecer a possível relação de reciprocidade entre vantagens privadas e o exercício do mandato parlamentar.