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Em sua 9ª edição, movimento criado por Dorina reúne mais de 50 artistas no Rio e
Há encontros que celebram o samba. E há encontros que ajudam a escrever a história dele. No próximo sábado, 26 de setembro, o Renascença Clube, no Andaraí, será palco da edição carioca do 9º Encontro Nacional e Internacional das Mulheres na Roda de Samba, iniciativa criada pela cantora e articuladora cultural Dorina que, em 2026, conecta mulheres do samba em 30 cidades do Brasil e do exterior. No Rio, mais de 50 artistas participam de uma programação de cerca de seis horas e meia dedicada à música, à memória e ao protagonismo feminino.
Neste ano, o encontro presta uma dupla homenagem a duas mulheres que deixaram marcas profundas na cultura brasileira: Zezé Motta, em vida, e Jovelina Pérola Negra, in memoriam.
A escolha carrega um simbolismo especial. Zezé Motta construiu uma trajetória de mais de seis décadas no teatro, cinema, televisão e música, tornando-se também uma referência na valorização da cultura negra e na luta por representatividade. Jovelina Pérola Negra, uma das grandes vozes do samba e do partido-alto, deixou uma obra marcada pela força da interpretação, pelo improviso e pelas vivências transformadas em música.
Duas gerações. Duas trajetórias. Uma mesma história de resistência e abertura de caminhos para outras mulheres.
E a homenagem a Jovelina ganha ainda mais emoção com a participação especial de sua filha, Cassiana Belfort, a Cassiana Pérola Negra, aproximando memória, legado e continuidade.
Um palco feito por mulheres
No Renascença, a celebração será conduzida por uma verdadeira constelação de mulheres do samba. A programação terá três sets de roda de samba, participação de DJ Cris Panttoja, intervenções das Baianas da Portela e a presença de grupos como Flor do Samba, Herdeiras do Samba, Matriarcas do Samba, Orquestra Lunar e Oficina das Minas.
Entre as cantoras confirmadas estão Dorina, Deli Monteiro, Lazir Sinval, Renata Jambeiro, Bia Aparecida, Margareth Mendes, Rosi Guará, Simone Costa, Thania Machado, entre outras.
A direção musical será assinada por Márcia Guedes e Dayse do Banjo, à frente de uma banda formada exclusivamente por mulheres instrumentistas. O time reúne ainda Waléria Beatriz Henrique, Joana Saraiva, Katia Preta, Mari Araujo, Thais Bezerra, Thainara Castro e Renata Tougeiro.
O Rio também fará homenagens especiais à Orquestra Lunar, pioneira no protagonismo feminino da música instrumental, além de Renata Ribeiro e Margareth Mendes.
Muito além da roda
Criado em 2018, o Movimento das Mulheres na Roda de Samba nasceu para dar visibilidade às mulheres que cantam, compõem, tocam, produzem, pesquisam e trabalham nos bastidores do samba. Ao longo de suas edições, a iniciativa transformou a roda em uma rede de articulação, formação, intercâmbio e apoio.
A proposta também tem impacto direto na geração de trabalho. Muitas profissionais envolvidas no projeto são mulheres e mães que encontram no movimento um espaço de atuação, acolhimento e continuidade profissional.
A edição carioca mantém ainda o compromisso com a acessibilidade, com intérpretes de Libras durante a programação, e com a formação de novas profissionais por meio das ações e oficinas desenvolvidas pelo movimento. No Rio, mais de 250 mulheres já participaram de atividades formativas promovidas pela iniciativa desde sua criação.
Para Dorina, “A escolha das homenageadas nasce da própria rede de mulheres que constrói o movimento. Celebrar Zezé Motta e Jovelina Pérola Negra, portanto, é também reconhecer as mulheres que vieram antes, as que estão hoje na roda e as que ainda chegarão”.
No histórico Renascença Clube, espaço fundamental da cultura negra carioca, essa história ganha um cenário à altura: um lugar onde música, memória, ancestralidade e resistência fazem parte da própria identidade.
Serviço
Dia: 26/09 (sábado)
Hora: a partir das 15h
Local: Renascença Clube (Rua Barão de São Francisco, 54 – Andaraí)
Ingressos: R$ 1,00 (inteira) / R$ 0,50 (meia)
Programação com Libras
O público poderá colaborar com a doação de kits de higiene feminina.