A produção de bicicletas elétricas avançou em 2026, mesmo diante da queda na fabricação total de bicicletas no Polo Industrial de Manaus. De janeiro a julho, foram produzidas 43.107 unidades elétricas, aumento de 77,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Os dados consideram as empresas de bicicletas instaladas no polo e não representam o total de unidades vendidas ou em circulação no país.
No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a produção chegou a 200.571 bicicletas, queda de 5,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. As elétricas responderam por 21,5% desse volume e ocuparam a segunda posição entre as categorias mais fabricadas, atrás das mountain bikes.
O levantamento mais recente da Aliança Bike sobre o mercado nacional, publicado em 2025 com dados de 2024, registrou 53.591 novas bicicletas elétricas de pedal assistido produzidas ou importadas no país, crescimento de 7,2% em relação a 2023.
Custo de uso entra na conta
A MotoChefe, marca nacional especializada em veículos de mobilidade elétrica, fez uma simulação, a pedido da reportagem, do custo para percorrer 300 quilômetros por mês com um veículo elétrico leve. A estimativa considera consumo de cerca de 50 Wh por quilômetro, o equivalente a aproximadamente 15 kWh no período. Segundo a empresa, o gasto com eletricidade ficaria abaixo de R$ 12.
Para percorrer a mesma distância de automóvel, a empresa utilizou como referência um veículo com rendimento aproximado de 11 quilômetros por litro. Nesse caso, seriam necessários pouco mais de 27 litros de gasolina, com gasto estimado em aproximadamente R$ 180.
A comparação é uma simulação e pode variar conforme o modelo, as condições de uso e a tarifa de energia. No automóvel, o resultado também depende do rendimento do veículo e do preço do combustível.
Nos deslocamentos urbanos
O avanço da produção não significa, por si só, que brasileiros estejam abandonando o automóvel. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Transportation Research Part D: Transport and Environment ajuda, no entanto, a avaliar o potencial das e-bikes nos deslocamentos urbanos.
A pesquisa analisou o acesso a empregos no Rio de Janeiro e em São Paulo, comparando bicicletas convencionais e elétricas em diferentes tempos de deslocamento e níveis de esforço físico. Os resultados indicaram que as e-bikes ampliam o número de empregos que podem ser alcançados por bicicleta. O efeito se torna especialmente relevante em deslocamentos mais longos e áreas de relevo acidentado, onde o motor reduz o esforço necessário para pedalar.
Esse alcance varia dentro das próprias cidades, e persistem diferenças nas regiões periféricas. Segundo o estudo, fatores como topografia, distribuição dos empregos e estrutura urbana interferem nos resultados. A pesquisa não mede quantas pessoas trocaram o automóvel pela bicicleta elétrica e, portanto, não representa uma taxa de substituição do carro.
Economia e impacto ambiental
Além do custo de uso, os veículos elétricos não emitem gases pelo escapamento durante o deslocamento. Uma avaliação mais ampla do impacto ambiental, porém, considera também a eletricidade utilizada na recarga e, em análises de ciclo de vida, a fabricação do veículo e da bateria e a destinação dos componentes.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação disponibiliza fatores médios de emissão do Sistema Interligado Nacional para estimar as emissões associadas ao consumo de eletricidade. Assim, a ausência de emissões pelo escapamento não significa impacto ambiental zero quando outras etapas são consideradas.