Dizem que as pessoas só dão valor depois que perdem. Eu, sinceramente, acho isso um tanto conveniente. Uma desculpa elegante para justificar o descuido. Porque, no fundo, as pessoas sabiam o que tinham - só não achavam que precisavam cuidar.
É mais confortável acreditar que foi distração do que admitir preguiça emocional. As pessoas não perdem por falta de consciência, perdem por excesso de certeza. Certeza de que o outro vai continuar ali, mesmo sendo ignorado. Que o amor aguenta tudo, que amizade é automática, que afeto tem prazo indeterminado.
Não é falta de valor, é falta de responsabilidade afetiva. Todo mundo sabe o que o outro representa, só prefere agir como se nada fosse perecível. Afinal, é mais fácil exigir do que nutrir. É mais simples manter o discurso do “ah, eu não sabia o que tinha” do que encarar o espelho e admitir: “eu sabia, só fui negligente”.
A verdade é que ninguém perde por acaso. A perda é o resultado de pequenas desistências diárias. De conversas que não aconteceram, de gestos que faltaram, de prioridades trocadas. O “depois eu vejo” que virou nunca. O “tanto faz” que acabou virando adeus.
E então, quando o silêncio se instala, vem o arrependimento travestido de lucidez tardia. Mas não se trata de iluminação, é vaidade ferida. As pessoas não choram pela ausência, choram por terem sido substituídas.
E talvez o mais triste seja isso: o valor não se revela na ausência, ele apenas cobra o atraso daquilo que sempre foi evidente.
E esse é o erro mais caro que se comete: tratar o essencial como se fosse garantido.
Até o próximo texto!
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