Talvez por isso o dia 8 de março precise ser também um momento de reflexão. Mais do que celebrar conquistas, é preciso lembrar que muitas mulheres ainda enfrentam violência, discriminação e desigualdade. Por isso, hoje não é apenas dia de gritar “vivas às mulheres”. É também dia de afirmar com força: queremos mulheres vivas. A luta contra a violência contra a mulher continua sendo uma das pautas mais urgentes do nosso tempo.
Em muitos casos de violência, ainda existe uma cultura perversa de culpabilização da vítima. Perguntas como “o que ela fez?” ou “por que estava naquele lugar?” continuam sendo repetidas. É fundamental afirmar: a culpa pela violência nunca é da mulher. A violência nasce do machismo estrutural, da desigualdade histórica entre homens e mulheres e de uma cultura que ainda precisa aprender o verdadeiro significado de respeito, igualdade e equidade de gênero.
A transformação social e a valorização da mulher não começa na vida adulta. Ela começa muito antes, na infância. Antes de mulheres virarem estatísticas nos noticiários, existem meninas crescendo e construindo a forma como enxergam a si mesmas e o mundo. É nesse momento que a sociedade pode fortalecer ou limitar suas possibilidades.
A pressão estética sobre as mulheres, por exemplo, começa cedo. Quando criticamos o corpo de meninas ainda crianças, ensinamos que sua aparência vale mais do que sua inteligência, criatividade ou talento. Da mesma forma, a sobrecarga feminina nasce quando meninas são educadas para cuidar de todos ao seu redor, enquanto muitos meninos ainda não aprendem o mesmo senso de responsabilidade doméstica e emocional.
A desigualdade no mercado de trabalho também começa na infância. Antes da falta de mulheres em cargos de liderança, existiu uma menina que precisava ouvir que seus sonhos poderiam ser grandes. Antes da desigualdade salarial entre homens e mulheres, existiu um menino que precisava aprender que competência não tem gênero. E antes da exclusão de mulheres com deficiência, existiu uma menina que simplesmente precisava de acesso, inclusão e oportunidade.
Por isso, defender os direitos das mulheres não começa apenas em políticas públicas ou debates acadêmicos. Começa dentro de casa, nas escolas, nas conversas cotidianas e nos valores que transmitimos às novas gerações. Precisamos ensinar meninos a respeitar meninas e mulheres. E precisamos ensinar meninas que elas podem ocupar qualquer espaço: na ciência, na política, na liderança, nos negócios e em todos os lugares onde seus talentos puderem florescer.
O empoderamento feminino não é apenas sobre ocupar cargos ou conquistar visibilidade. É sobre garantir que cada menina cresça acreditando em seu próprio valor e em suas capacidades. É sobre construir uma sociedade onde as mulheres possam viver, trabalhar, liderar e sonhar sem medo.
Que o Dia Internacional da Mulher seja mais do que uma data de homenagens. Que seja um convite coletivo para repensar comportamentos, educar para o respeito e construir relações mais justas. Flores são bonitas, mas o que realmente transforma o mundo é o compromisso diário com igualdade, equidade, dignidade e respeito às mulheres.