O mês de abril se destaca por ser o mês de conscientização do autismo. Dados estatísticos sobre o tema revelam que o TEA (Transtorno do Espectro Autista), que já foi considerado um tipo de transtorno restrito à infância, tem demonstrado que pode ser detectado em qualquer fase da vida. O número de diagnósticos de autismo em adultos e idosos cresce a cada dia. Pesquisas revelam que 1% a 2% da população adulta está no espectro. Estima-se que milhares de idosos são subnotificados e não fazem ideia de que podem compor as estatísticas do transtorno.
A falta de conhecimento, a restrição do acesso a profissionais adequados, o preconceito e o tabu relacionados ao autismo justificam a imprecisão dos dados e o subdiagnóstico em idosos. Porém, se considerarmos que o espectro se manifesta na infância e é transportado para a vida adulta, fica fácil entender que muitos comportamentos, considerados “manias” ou desajustes na vida adulta ou na terceira idade, podem se enquadrar no espectro.
O autismo, quando não tratado em idades iniciais, pode acarretar problemas na comunicação, socialização, aprendizagem cognitiva e interações humanas. Mas é importante deixar claro que o autismo não chegou com a vida adulta: ele sempre esteve lá. Acontece que, quando criança, esse idoso pode não ter sido acompanhado e não ter recebido um diagnóstico precoce por apresentar sintomas mais leves, que dificultam o reconhecimento. A criança autista cresce e esse idoso continua sendo autista. Além disso, o idoso, quando não diagnosticado, pode desenvolver ansiedade e depressão, pois não entende os motivos de ser diferente das outras pessoas, já que muitos sintomas ficam camuflados e misturados aos desafios da vida adulta, descaracterizando sinais e sintomas.
Buscar um diagnóstico de TEA na melhor idade pode ser desafiador, em função do preconceito em relação à saúde mental e do medo de ser julgado ou discriminado socialmente. Os sintomas do TEA em adultos e idosos são vários, por exemplo: dificuldade de interação ou manutenção de amizades mais íntimas; desconforto durante o contato visual; dificuldade no gerenciamento das emoções; hiperfoco em um assunto específico; falar repetidamente sobre um determinado tema; hipersensibilidade a cheiros, sons e texturas que parecem não incomodar os outros; dificuldade em compreender piadas, sarcasmo ou expressões de duplo sentido; interesse limitado em atividades; preferência por atividades solitárias; falta de compreensão e reação diante da emoção do outro; dificuldade em compreender expressões faciais e linguagem corporal; dificuldade em absorver mudanças de rotina; ansiedade social; utilização de linguagem direta e objetiva que beira a grosseria; entre outros. É comum que, diante de alguns desses sintomas, o idoso receba outros diagnósticos que induzam ao erro de notificação do espectro, aumentando as críticas e rótulos por apresentar um comportamento atípico.
Portanto, o diagnóstico correto no tempo exato é fundamental para proporcionar a um autista, adulto ou idoso, uma melhor qualidade de vida e bem-estar. Adultos e pessoas na terceira idade que suspeitam que podem ser autistas podem buscar um acompanhamento multidisciplinar com médico neurologista, psiquiatra e psicólogos, que poderão fornecer, através de ferramentas e técnicas específicas, um resultado confiável, considerando o nível de suporte do transtorno. Afinal, não podemos esquecer que o autismo não é uma sentença. É uma realidade que necessita de acompanhamento profissional frequente e adequado.